23 de junho de 2014

O fluxo da vida…


Uso muito a expressão, "e a vida segue..." não celebrando que as coisas mudam e sim, lamentando o porque das mesmas mudanças. Esse texto foi da novela A vida da gente do ano de 2010 e desde lá, esta guardada nos meus arquivos e sempre é um "tapa na cara" diferente quando leio essas linhas...


Ninguém entra num mesmo rio pela segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras.

Foi um filósofo grego que viveu no século V A.C., Heráclito de Éfeso que fez essa formulação que até hoje nos fascina: o fluxo eterno das coisas; é a própria essência do mundo – apontou Heráclito. E, se ainda hoje ficamos espantados com isso é porque nos apegamos teimosamente ao que já passou, esperando, no fundo, que tudo permaneça igual.

Então, é necessário um filósofo da Antiguidade ou um escritor contemporâneo para nos fazer entender que 
nada é permanente, a não ser a mudança.

Olha só, eu separei aqui um trecho do “Grande Sertão”, onde Guimarães Rosa fala um pouco sobre isso. Olha só que beleza: 
“O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não são sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando – afinam ou desafinam, – verdade maior é o que a vida me ensinou”.

Não é incrível? O filósofo flagra a fluidez e o escritor se maravilha com isso: “É o mais bonito da vida”, diz Guimarães Rosa. 
É uma celebração do movimento, não é um lamento.

O tempo não para e isso é belo. Então, na semana que vem nós nos encontraremos aqui e eu serei outro e vocês também.”


Trecho do ultimo capitulo da novela A vida da gente no ano de 2010




Trecho do ultimo capitulo da novela A vida da gente no ano de 2010

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