20 de maio de 2019

Canção de Segunda: Shallow (feat. Bradley Cooper)



A musica Shallow (feat. Bradley Cooper) é sucesso desde o ano passado, a música ganhadora do Oscar 2019 esteve presente em várias playlists graças ao filme A Star Is Born (ou Nasce Uma Estrela)

Apresentando ao mundo seu lado atriz, Lady Gaga teve a oportunidade de atuar como Ally, uma garçonete que busca a carreira como cantora. Sua personagem conta com o auxílio de Jackson Maine (Bradley Cooper), um cantor de country que está combatendo sérios problemas pessoais.

Lady Gaga e Bradley Cooper na capa do filme “Nasce Uma Estrela” / Créditos: Divulgação 
Claro que por ter uma pegada musical, Gaga também trouxe seu lado cantora para realizar a personagem e, graças a isso, a música composta pelo “time Shallow” (assim se nomeiam os compositores da canção Anthony Rossomando, Andrew Wyatt, Mark Robson e Lady Gaga) fez todo o sucesso que acompanhamos.

Inicialmente Shallow foi planejada para ser cantada apenas pela Gaga. Os compositores revelaram em entrevista para o TNT Brasil que durante toda a construção da canção esperavam apenas uma voz. Quem teve a ideia de transformar em um dueto foi o próprio Bradley Cooper, que além de ator também foi diretor do filme.

Lady Gaga como Ally e Bradley Cooper como Jackson Maine, seus personagens no filme / Créditos: Divulgação 

Além disso, o dueto marcante deixou a química do casal, construída durante todo o filme, ainda mais forte. Um bom exemplo dessa conexão é a apresentação dos dois no Oscar 2019. Simples e intensa, ambos tiveram um momento para dividir o piano e o microfone, deixando os fãs e admiradores do filme apaixonados:

A música apresenta uma letra intensa e com muitos significados profundos. A Canção sobre uma conversa entre um homem e uma mulher. Gaga declarou em entrevista para a L.A. Times que a construção da letra foi feita a base de uma descoberta. Ninguém sabia para onde ir e foram elaborando juntos:
“Eu estava no piano, os rapazes tinham todos guitarras nas mãos e começamos a criar letras e a partilhar uns com os outros.”.
E então afirmou: 
“É exatamente isso que a canção é. Trata-se de uma conversa entre um homem e uma mulher (…) Mas ainda não sabíamos disso quando começamos.”
Cena do filme “Nasce Uma Estrela” / Créditos: Divulgação 

Tell me something, girl
(Me diga uma coisa, garota)
Are you happy in this modern world?
(Você está feliz neste mundo moderno?)
Or do you need more?
(Ou você precisa de mais?)
Is there something else you’re searching for? 
(Existe algo mais que você está procurando?)

Primeiramente, a música começa com Jackson perguntando à garota sobre a felicidade dela em relação ao mundo. Ou seja, ele pergunta a Ally se ela está feliz com a vida que está levando, cantando em barzinhos, sem planos para uma carreira musical.

I’m falling
(Estou caindo)
In all the good times 
(Em todos os bons momentos)
I find myself longing for change 
(Eu me vejo almejando uma mudança)
And in the bad times I fear myself 
(E nos momentos ruins, eu tenho medo de mim mesmo)

Então, Jackson passa a falar sobre sua própria vida: enquanto ele desmorona num todo, nos momentos felizes é capaz de pensar e de lutar por uma mudança, porém, em momentos ruins, sente medo dele mesmo. Tudo ligado diretamente ao filme, já que o personagem passa por grandes desafios lidando com seus problemas pessoais.

Tell me something, boy 
(Me diga uma coisa, garoto)
Aren’t you tired trying to fill that void?
(Você não está cansado de tentar preencher esse vazio?)
Or do you need more? 
(Ou você precisa de mais?)
Ain’t it hard keeping it so hardcore? 
(Não é difícil manter toda essa energia?)

I’m falling 
(Estou caindo)
In all the good times 
(Em todos os bons momentos)
I find myself longing for change 
(Eu me vejo almejando uma mudança)
And in the bad times I fear myself 
(E nos momentos ruins, eu tenho medo de mim mesma)

Questionando sobre preencher um vazio, é como se Ally questionasse Jackson sobre seu estilo de vida agressivo e complicado nesse meio de estrela do rock. Ele estaria feliz com tudo dessa forma ou precisa de mais, isto é, precisa mudar tudo isso?

I’m off the deep end, watch as I dive in
(Eu estou à beira do precipício, assista enquanto mergulho)
I’ll never meet the ground 
(Eu nunca vou tocar o chão)
Crash through the surface 
(Caio através da água)
Where they can’t hurt us
(Onde eles não podem nos machucar)
We’re far from the shallow now 
(Estamos longe da superfície agora)

Nesse primeiro refrão, apenas há a voz de Ally, como se ela falasse para Jackson toda a mensagem. No trecho “I’m off the deep end“, temos um duplo sentido: ela pode estar se referindo ao fato de estar “perdendo a cabeça” e enlouquecendo, como também pode ser sobre se afastar da superfície. 

Nesse sentido, é como se ela estivesse mergulhando nesse estilo de vida, ou até mesmo no romance entre os dois, em que, quão mais fundo ela vai, mais segura está.

Quanto mais fundo se mergulha, menos da superfície é possível ouvir e sentir, logo, é como se ela buscasse a segurança ali, nas profundezas. 
We’re far from the shallow now (Estamos longe da superfície agora)
Há também um terceiro possível sentido: enfim Ally conseguiu ser vista por sua voz, já que por muito tempo foi julgada por sua aparência e que, por isso, não poderia ter uma carreira. Indo ao fundo, ela consegue estar fora de juízos e preconceitos superficiais, navegando profundamente em seu talento. Enfim, são diversas as possíveis interpretações, mas, num, todo a música fala sobre sair da superfície e ir ao fundo, sem medo de consequências e reações. 

É se entregar, sair da confusão, do barulho e do superficial até chegar no profundo, no que nem todas as pessoas podem sentir, seja no sentido dos bons sentimentos ou seja no sentido do sofrimento que ambos passaram em suas vidas. 

       

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16 de maio de 2019

Desabafo: De ontem em diante...





De ontem em diante serei o que sou no instante agora... 


Parece que eu já vi esses versos. Mas, o sentimento que me envolve é outro. Cansei de escrever como tivesse conjugando o pretérito imperfeito de mim mesmo. Como algo ou algum sentimento ao desabrochar falhasse e algo que seria alguma coisa acabara não sendo.

O passado não pode ser presente e nem o nosso presente poderá ser futuro.

Nem para nós mesmos nem para os outros, cade o tão esperado livre arbítrio que falavam que nos tínhamos? Aonde esta o poder da escolha para mudarmos todos os planos pré-estabelecidos? Não faz sentido, o raiar de um novo dia não trazer mudanças. Os mesmos pensamentos que te tiraram o sono na noite anterior, permanecer o mesmo ou tão mesquinho quanto ao levantar da cama para viver um novo dia.

Ando cansada de todas essas coisas mesquinhas que todo mundo diz que sente (sera que sente?) estou acreditando cada vez menos na raça humana não que eu acreditasse nela antes, mas sei lá já tiveram mais credito. Os meus três cachorros, dão um banho em qualquer ser racional que eu ando encontrando pelo caminho. 

Vejo a minha fé sempre colocada à prova, e às vezes me falta aquele sentimento que as coisas realmente vão melhorar, que tudo vai começar a dar certo. Sabe, vejo só palavras e falas quando eu mais preciso visualizar atitudes... Porém, permaneço aqui com um pouco de fé que me resta.

De hoje em diante... Meus Versos serão sobre o presente, o passado ira permanecer nas lembranças e no máximo no histórico do Blog, mas remexer o passado em busca de lembranças que não irão voltar eu não escrevo mais. Não me alimento mais de sentimentos banhados a banho Maria, nem de lembranças com gosto de pão velho de padaria. Quero viver uma vida inteira sendo realmente inteira não sentindo emoções em parcelas como uma pessoa bipolar. 

Quero saber exatamente porque/por quem eu estou lutando para assim entrar em alguma luta, não quero mais lutar em vão... Sangrar por aquilo que eu não acredito.... Chega de sangrar por quem não esta disposto a sangrar por mim. Quando eu começar a crer, da luta não me retiro... Todo dia de manhã vai ser dia de paz, sem as nostalgias e besteiras do que eu fiz ontem e sem as lembranças e sem vestígios de um passado que realmente já passou.

Minha vida inteira é meu dia inteiro!!!
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem




Arrumando os meus textos arquivados me deparo com esse que escrevi em 2011 ainda no Versos em Bossa. Eu não lembro qual a sintuação que eu me encontrava no momento que  esse texto foi escrito... mas, é um sentimento que me parece muito atual.

12 de maio de 2019

Mãe é quem fica...


Mãe é quem fica. Depois que todos vão. Depois que a luz apaga. Depois que todos dormem. Mãe fica.

Às vezes não fica em presença física. Mas mãe sempre fica. Uma vez que você tenha um filho, nunca mais seu coração estará inteiramente onde você estiver. Uma parte sempre fica.



Fica neles. Se eles comeram. Se dormiram na hora certa. Se brincaram como deveriam. Se a professora da escola é gentil. Se o amiguinho parou de bater. Se o pai lembrou de dar o remédio.

Mãe fica. Fica entalada no escorregador do espaço kids, pra brincar com a cria. Fica espremida no canto da cama de madrugada pra se certificar que a tosse melhorou. Fica com o resto da comida do filho, pra não perder mais tempo cozinhando.

É quando a gente fica que nasce a mãe. Na presença inteira. No olhar atento. Nos braços que embalam. No colo que acolhe.



Mãe é quem fica. Quando o chão some sob os pés. Quando todo mundo vai embora. Quando as certezas se desfazem. Mãe fica.

Mãe é a teimosia do amor, que insiste em permanecer e ocupar todos os cantos. É caminho de cura. Nada jamais será mais transformador do que amar um filho. E nada jamais será mais fortalecedor que ser amado por uma mãe.


É porque a mãe fica, que o filho vai. E no filho que vai, sempre fica um pouco da mãe: em um jeito peculiar de dobrar as roupas. Na mania de empilhar a louça só do lado esquerdo da pia. No hábito de sempre avisar que está entrando no banho. Na compaixão pelos outros. No olhar sensível. Na força pra lutar.

No coração do filho, mãe fica.

por Daniela Fanti

8 de maio de 2019

Vida Diet.

Não vai ser diferente(...)Se eu me for de repente(...)
Se o céu cai sobre o mundo(...)E o mar se abrir(...)
Em um inferno profundo.
Vida Diet-Pato Fu



Depois de um certo tempo todo mundo se adapta de algum jeito...
Eu me adaptei aos dia frios de inverno e a solidão da noite em meu quarto;

Ela já se acostumou a chorar sozinha no seu canto;
Ele se adaptou a não se apegar tanto as coisas, os momentos e as pessoas(principalmente as pessoas);
Ela se acostumou a não mais esperar;
Eu me adaptei a não tentar encontrar tantos sentidos para as coisas mesmo sempre sendo convencida que tudo tem um sentido de ser;

Ela se acostumou a sorrir mesmo se sentido triste; e mesmo quando tudo não vai bem ela se acostumou a chorar o choro que antes era escondido;

Eu me acostumei a não me sentir tão pressionada pelos outros e me sentir feliz do mesmo jeito; me adaptei em muitas vezes por minhas vontades em segundo plano para não ser chamada de egoísta.

É, os dias frios de inverno e a solidão faz sentido as vezes. 
Manter o riso estampado na cara e o choro na alma também.
Pensar mais nos outro do que você.
Chorar o choro escondido. 
Calar a dor. 
Sonhar. 
Amar. 

Custa mas se habitua...





6 de maio de 2019

Canção de Segunda: Histórias de Jô's...


ZALUZEJO 
(A história de Josilene Raimunda da Silva)
Por Fernando Anitelli.

"Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda." (O Gigolô das palavras).

Outro dia, conversando com uma amiga estudante de "Letras" recebi a informação de que, de fato, é muito difícil encontrarmos pessoas que saibam falar português 100% correto... e o que seria este correto? seguir regras gramaticais? E as exceções? Seriam consideradas erros? Que ponte é esta que separa o formal do informal? E as novas expressões? E as palavras que surgem nos nossos dicionários a cada nova versão?

"Eu quero que delete meu e-mail do seu mailing list!" - Seria uma versão atualizada de: "Eu quero que risque meu nome da tua agenda!!" (?) - enfim... o que estamos discutindo é se falamos menos ou mais errados (errado?) O que importa é se estamos dizendo aquilo que gostaríamos de dizer... ou seja... não interessa o meu português... e sim, o que você entende daquilo que estou falando.

E foi a partir desta consideração que surgiu ZALUZEJO - canção em homenagem à Josilene Raimunda (uma empregada doméstica vinda de Pernambuco à 40 anos) que pra mim, é uma das grandes compositoras de palavras que já conheci... mas talvez... nem ela saiba disto... Como assim?
Certa ocasião, estava eu almoçando na casa de minha mãe quando Josilene, que almoçava comigo disse: "Fernando... sabia que antes de trabalhar na casa de sua mãe eu trabalhava na casa de um PIGILÓGICO?" - e, lógico, .... quem passou a perguntar fui eu: "PIGI... o quê?" ... "PIGILÓGICO poxa!... o doutor de cabeça!".

Foi então que percebi... que aquele modo todo próprio de falar estava na realidade me dizendo: psicólogo! Sim! Fechamos um diálogo! Ela falou, eu entendi e ponto final.

O assunto não parou por ali, ela me disse pra ligar no CEDULAR do meu pai e pedir pra ele passar no GADEFU para comprar LEITE DILATADO, LEITE INTREGAL, SUCRITCHO e OMOVEDOR AJACTU pra limpar o ZALUZEJO!

Com mais ou menos dificuldade, havíamos nos comunicado e isso é o que importava...

Diariamente conversávamos e diariamente anotei todas as palavras diferentes... algumas até, muito mais interessantes do que as originais como por exemplo: CAREJANGREJO (só pela palavra, parece que o bicho tem o tamanho de uma tartaruga!)

A conclusão disto tudo é uma música de sete minutos e meio feita somente com palavras e ditados da Jô, intitulada - ZALUZEJO.
Para justificar que nada disso é uma "tiração de sarro", e sim uma homenagem, a única estrofe que não tem palavras da Jô diz:

"Quando alguém te disser: tá errado ou errada...que não vai S na cebola, que não vai S em felizque o X pode ter som de Z, e o CH pode ter som de Xacredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz!"

Não interessa se você fala Asteristico, Asterisco ou Asterix... o que importa é se você vive o que fala... é muito mais simples.

Pois é... viver o que diz de vez em quando nos parece tão difícil... e de uma maneira natural e simples, não só a Jô, mas todas as "Jôs" espalhadas por aí nos mostram isto... e não precisa estar disposto a enxergar... basta estar disposto a ouvir!!




Zaluzejo
O Teatro Mágico

Composição: Fernando Anitelli

Ah eu tenho fé em Deus... né?
Tudo que eu peço ele me ouci... né?
Ai quando eu to com algum pobrema eu digo:
Meu Deus! me ajuda que eu to com esse problema!
Ai eu peço muito a Deus... ai eu fecho meus olhos... né?
eu Deus me ouci na hora que eu peço pra ele, né?
Eu desejo ir embora um dia pra Recife
não vou porque tenho medo de avião, de torro...de torroristo
ai eu tenho medo né?
Corra tudo bem... se Deus quiser... se deus quiser..."

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"eu sou uma pessoa muito divertida"

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"não sei falar direito"

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"não sei falar"

Tomar banho depois que passar roupa mata
Olhar no espelho depois que almoça entorta a boca
E o rádio diz que vai cair avião do céu
Senhora descasada namorando firme pra poder casar de véu

Quando for fazer compras no Gadefour:
Omovedor ajactu, sucritcho, leite dilatado, leite intregal,
Pra chegar na bioténica, rua de parelepídico
Pra ligar da doroviária, telefone cedular

Quando fizer calor e quiser ir pra praia de Cararatatuba,
cuidado com o carejangrejo
Tem que ta esbeldi, não pode comer pitz, pra tirar mal hálito
toma água do chuveiro
No salão de noite, tem coisa que não sei
Mulé com mulé é lésba e homi com homi é gay
Mas dizem que quem beija os dois é bixcional...
só não pode falar nada,
quando é baile de carnaval

Pra não ficar prenha e ficar passando mal, copo d'água
e pílula de ontemproccional
Homem gosta de mulher que tem fogo o dia inteiro,
cheiro no cangote, creme rinsa no cabelo
Pra segurar namorado morrendo de amor
escreve o nome num pepino e guarda no refrigelador,
na novela das otcho, Torre de papel,
Menina que não é virge, eu vejo casar de véu

Se você se assustar e tiver chilique,cuidado pra não morrer
de palaladi cadique
Tenho medo da geladeira, onde a gente guarda yogute,
porque no frio da tomada se cair água pode dá cicrutche
To comprando um apartamento e o negócio ta quase no fim
O que na verdade preocupa é o preço do condostim
O sinico lá do prédio, certa vez outro dia me disse:
Que o mundo vai se acaba no ano 2000 é o que diz o acalipse

Tenho medo de tudo que vejo e aparece na televisão
Os preju do Carajundu fugiram em buraco cavado no chão
Torrorista, assassino e bandido, gente que já trouxe muita dor
O que na verdade preocupa é a fuga do seucrostador
Seucrosta quem não tem dinheiro, quem não tem emprego
e não tem condução
Documento eu levo na proxeca porque é perigoso carregar na mão

Mas quando alguém te disser ta errado ou errada
Que não vai S na cebola e não vai S em feliz
Que o X pode ter som de Z e o CH pode ter som de X
Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz

"e eu sou uma pessoa muito divertida...
eles não inventavam nada... eu gostava de inventar as coisa
não sei falar direito...
inventar uma piada, inventar uma palavra, inventa uma brincadeira...
não sei falar
me da um golinho... me da um golinho..."

E com muito prazer que eu convido agora todos aqueles
que estão ouvindo esta canção
Para entoar em uníssono o cântico: Omovedor, Carejangrejo
Vamos aquecer a nossa voz cantando assim:
Iô,iô,iô. Iô,iô,iô,iô, eu digo:
Omovedor, Carejangrejo, Omovedor, carejangrejo... Omovedor!
"omovedor... carejangrejo... só isso que eu sei falar!"





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29 de abril de 2019

“Fernando Anitelli apresenta: O Teatro Magico – Voz e Violão”


Quando eu comecei a escrever na blogosfera (Inicio do ano 2000), eu conversava com freqüência com outras pessoas que também escreviam suas mazelas na blogs. Sou péssimas em datas. Mas, lembro que em 2003 conversavamos na internet pelo MSN Messenger*. Um certo dia, uma dessas blogueiras que eu conversava na época, a Lud de Osasco/SP e nos seu status sempre estava escrito assim Ana e o mar - Teatro Mágico... ♫ e sem querer ela apresentou-me umas 3ou9 musicas de uma banda um tanto diferente dos padrões musicais em que eu estava acostumada a ouvir. Artistas independentes, donos de uma música poética e com conteúdo, a trupe “O Teatro Mágico”.

***

Sábado, dia 27 de abril de 2019, Em Florianópolis na capital de Santa Catarina, a temperatura da cidade estava caindo gradativamente, com  uma chuva finininha... A Ilha da Mágia digo, Florianópolis, saturada de falta de cultura e bons shows… Naquela noite, recebeu Fernando Anitelli apresenta: O Teatro Magico – Voz e Violão.


A cidade onde moro, é a capital do estado de SC, mas, quando se procura “eventos culturais” na city… Aqui mais parece cidade do interior. Mãããsss a questão era que tinha um programa nostálgico e emocionante que eu sabia que eu ia me emocionar bastante rs, na minha querida cof, cof cidade, não podia pensar na possibilidade de não ir. 

O Centro Integrado de Cultura Professor Henrique da Silva Fontes (CIC) é um conjunto de edifícios onde se realizam diversas manifestações culturais, localizados em Florianópolis. Ao todo, perfaz uma área de 9 993 m/². É um dos teatros mais “chiques” aqui da região. O clima do show é clean e a roupa também tem que ter o mesmo clima sem o tênis surrado companheiro fiel de chalaças. O CIC é um teatro grande, comparados aos outros dois teatros mais novos da cidade. O ambiente é aconchegante e bem bacana para shows. Cheguei uns 30min antes no CIC para comprar ingresso (graças à falta de divulgação ainda tinha ingresso na hora…) as poltronas são numeradas. Então, não pode entrar e sentar na poltrona que quiser (Organização!).


Fernando Anitelli após 13 anos de estrada com O Teatro Magico e a companhia musical visita suas raízes, seus primeiros passos, dialoga com a atualidade e revela canções inéditas com um show mais intimista aproximando cada vez mais o artista com o seu publico. 

Confesso que, eu estava acostumada com a trupe do Teatro Magico que eu assistia no DVD... sendo essa a característica do projeto sempre ter sido marcada por suas apresentações que misturavam uma série de performances, tudo teve início no álbum solo de Anitelli (inspirado na leitura do livro “O Lobo da Estepe” de Herman Hesse) e em suas apresentações de voz e violão realizadas em diversos locais! Apesar disso... Acredito que, um teatro não suportaria um show que não fosse em um formato acústico.
“Gravamos o álbum inteiro na levada de voz e violão (sem metrônomo) e só no final resolvemos experimentar outros sons, vozes, instrumentos e ruídos! Fomos então para a segunda fase do projeto e convidamos mais de 25 pessoas para participarem dessa aventura! Saímos gravando tudo ao contrário! As peças tinham que se encaixar nas levadas e na essência da música! Posteriormente, quando pensamos no palco, inserimos outros instrumentos e modalidades artísticas para que pudéssemos conceber essa outra fase nas apresentações ao vivo!”
Quando o Fernando Anitelli começou a recitar os primeiros versos: Sem horas e sem dores/Respeitável público pagão/Bem-vindo ao Teatro Mágico/Sintaxe à vontade... Foi impossível de não lembrar da Milla com 17 aninhos ouvindo Teatro Mágico no disckmam sendo considerada uma adolescente super cooll. Chorei mexxxxmo sem vergonha nenhuma (no escuro ninguém poderia julgar as minhas lágrimas.).

Na medida que ele vai cantando um repertório de músicas inéditas e também cantará seus principais sucessos junto ao público. Ele falou de assuntos políticos sem cair na velha máxima "Ele não!" ou "Petralhas" de uma maneira sutil tipico de um artista que sabe tem o publico na mão. Que são raros!

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... Depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só


Nas ultimas musicas ele perguntou para o publico se gostariam de levantar algumas pessoas (EU) levantaram-se e foram para perto do palco para cantar camarada D'Água e anjo mais velho... No final do show. Que ninguém queria que acabasse...  Nós cantamos anjo mais velho com Fernando Anitelli em cima do palco FOI MARAVILHOSO! E foi difícil não querer registrar.


As musicas do teatro mágico já fazem parte da tal memória afetiva (Fora as musicas mais novas) aquela guriazinha de 17 anos estava comigo e também faz parte de quem sou hoje... comprando a camiseta e o adesivo feliz da vida por estar vivendo TUDO aquilo...

O CD e o DVD eu já tinha só comprei a camiseta.
Esse foi o meu primeiro show , do segundo show da mesma na minha cidade ¬¬ Quem vai ao show do Teatro Mágico encontra a famosa barraquinha com a venda de produtos. CDs, DVDs, camisetas, chaveiros, materiais escolares, pijamas, fronhas....tudo que se possa imaginar e onde cabe a poesia de Fernando Anitelli está lá, à venda.

O adesivo esá na porta do meu quarto.
Na parte “camarim” que não teve, o Fernando Anitelli ficou conversando com o publico  que fez fila no “Hall” do teatro todo mundo queria; uma foto, um “oi, tudo bem!”, uma dedicatória no CD recém-comprado… O Fernando é um querido e deu um show de simpatia querendo saber se era a 1° vez que eu ia no show/ perguntando o que eu tinha achado do show naquele formato e assinando folhinhas aleatórias e o livreto do CD





*As ultimas fotografias foram registradas  por uma profissional que trabalha no teatro.


** MSN Messenger foi um programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft Corporation. O serviço nasceu a 22 de Julho de 1999, anunciando-se como um serviço que permitia falar com uma pessoa através de conversas instantâneas pela Internet.

*** Falei da Lud como se todo mundo aqui conhecesse... Ela foi uma das primeiras amigas virtuias nessa blogosfera quando tudo isso aqui ainda era mato hehehe. A Lud morava em Santos/SP e tinha um blog chamado Insanidades de uma Garotinha... que ja esta desativado.



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26 de abril de 2019

"O Mal do Século é a Solidão!"

Podem achar o que quiserem, mas como disse Renato Russo: "O Mal do Século é a Solidão!" E essa solidão a qual me refiro, não é a do simples fato de estar sozinho, porque conheço muita gente que vive solitária e tem uma vida repleta de conquistas, de amores, de tristezas também, e acima de tudo, de histórias. Quero falar da solidão de casais que se casam apenas porque é o desejo da família, namoradas que procuram o carro mais belo e não a pessoa que as complete.

Essa preocupação com a tão falada segurança e "futuro", criou uma geração de solitários que tem tudo: Internet, telefone, TV (embora cada vez com um gosto mais duvidoso), lojas e carros, mas não tem gente na sua vida.

Casamentos com toda a pompa e que duram até a lua-de-mel (sendo bem otimista); tatuagens com nomes e rostos que jamais serão esquecidos (depois vai uma grana pra tirar com aquele laser por imposição do novo amor) e o tão precioso "eu te amo". Valendo menos que um "bom dia".

Meu Deus! Tudo bem que no passado os canalhas falavam qualquer coisa pra levar uma dama para a cama; inclusive "eu te amo", mas agora ouço isso tantas vezes ao dia que chego a me perguntar: "Se todo mundo ama todo mundo, porquê o mundo está tão vazio e sem cor?" Nessas horas só me vem uma frase de Maquiavel: "Se quer governar um povo, dê a eles pão e circo."

Não tenho outra resposta, nos tornamos tão manipulados e alienados em nossa própria modernidade que nos esquecemos do valor que palavras de carinho merecem e que elas devem ser ditas as pessoas certas e nos momentos certos, pois se forem ditas a todo o momento, perdem o seu valor e tornam-se tão vazias quanto o "eu te amo" que você fala para aquela desconhecida da noite anterior e que ao acordar, só pensa em uma frase: Como é seu nome mesmo???





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15 de abril de 2019

Canção de Segunda : Vou Com Você - Acústicos & Valvulados



A musica Vou Com Você apareceu pela primeira vez no DVD “Acústico, Ao Vivo  A Cores” (2007), e agora ganhou uma versão de estúdio com Rafael Malenotti nos vocais. “Foi minha primeira composição individual que a banda gravou”, conta Móica. A inspiração veio enquanto ele olhava uma foto do seu pai com 18 anos no exército, e foi concluída rapidamente, em minutos – um sentimento que caiu no papel.“Talvez seja por isso que muitos se identificam com ela”, explica.

 Turnê "Chame a familia" é uma piadinha interna com oos meninos da banda quando carrego os meus pais para os shows da banda.
Acústicos & Valvulados - Vou Com Você [Lyric Video] Vídeo feito com a participação dos fãs da banda. Também tem a letra pra todo mundo cantar junto!




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14 de abril de 2019

Filme: Sob a mesma lua (Sob La Misma Luna)



Elenco: Kate Del Castillo, Adrian Alonso, América Ferrera, Eugenio Derbez, Carmen Salinas.
Direção: Patricia Riggen
Gênero: Drama
Duração: 109 min.
Distribuidora: Fox Film
Estreia: 14 de Novembro de 2008

Sinopse: Rosário, uma mãe solteira, deixa seu filho Carlitos sob os cuidados de sua avó e atravessa a fronteira ilegalmente para os EUA. Embora ela espere ter uma vida melhor para si e seu filho, Rosário entra em um beco sem saída trabalhando como faxineira em Los Angeles. Quando a avó de Carlitos morre, alguns anos mais tarde, o rapaz começa uma viagem difícil e perigosa para se juntar à sua mãe.



Sob La Misma Luna é o filme de estréia de Patricia Riggen uma jovem diretora mexicana, com roteiro de Ligiah Villalobos outra mexicana. Sobre imigrantes ilegais na Califórnia e sobre a relação de uma jovem mãe e seu filho de nove anos separado dela por uma fronteira e por um imenso abismo econômico, social e político.

O drama familiar, tendo, como pano de fundo, um dos temas mais importantes que há no mundo, a questão sempre polêmica e jamais resolvida da imigração das pessoas dos países pobres para os ricos. Quem quiser acompanhar um drama familiar poderá fazê-lo; quem quiser ver ali boas considerações sobre a imigração no mundo atual tem um prato cheio.O meu TCC foi um projeto de pesquisa sobre Problemas Psicológicos na Migração com os Haitianos na cidade de Florianópolis/SC.



O filme abre com uma bela seqüência em que um grupo de mexicanos tenta atravessar um rio que faz a fronteira com os Estados Unidos, à noite. Chegam os homens da Imigração; parte dos mexicanos é presa; duas moças, no entanto, conseguem se esconder dos guardas. Corte, e temos o rosto de uma bela jovem que acorda pela manhã com o despertador. Começam os créditos iniciais do filme, enquanto vemos uma seqüência da moça se levantando e de um garotinho se levantando também; o espectador que tentar ler os créditos talvez não perceba de imediato que está vendo duas ações paralelas que se passam em diferentes locais. Mas isso ficará claro rapidamente.

A bela moça, Rosario (Kate Del Castillo), está em Los Angeles; o garoto, Carlitos (Adrian Alonso), está no México, veremos que numa cidade bem próxima da fronteira. Rosario fez a travessia da fronteira, mostrada na seqüência inicial, quatro anos antes; o filho Carlitos ficou no México com a mãe dela, Benita (Angelina Peláez). Rosario ainda é imigrante ilegal; trabalha como doméstica em dois empregos, é esforçada, digna, trabalhadora, tenta juntar dinheiro para pagar advogado e regularizar a cidadania americana para poder levar o filho para viver com ela. Já tem condições de mandar US$ 300 por mês para ele, e mais presentes, como o tênis com luzinha vermelha que ele usa sem parar; Carlitos poupa boa parte desse dinheiro.


Todos os domingos, exatamente às 10 da manhã, Rosario liga para Carlitos de um telefone público de East Los Angeles para o telefone público da sua cidadezinha. A ação – o filme mostra logo – está começando numa m anhã de domingo, que é o dia em que Carlitos está fazendo 9 anos de idade.

 

O diálogo telefônico entre mãe e filho – os dois saudosos, ele longe dela por quase metade de sua vida – é de machucar o coração. 



Logo depois veremos a festa dos 9 anos de Carlitos na casa de sua avó, naquele mesmo domingo, e vamos entender a extensão de seu drama. A avó está muito doente – Carlitos é que cuida dela. Pode morrer a qualquer momento, e o menino ficará inteiramente só na vida. Aparece na festa um casal de vizinhos que a avó detesta; o marido chama Carlitos para uma conversa particular, e conta para ele que é seu tio, irmão do pai dele. Carlitos – que, apesar de só ter nove anos, é esperto, inteligente, muito mais maduro do que se poderia imaginar – nunca soube do nome de seu pai; Rosário jamais tinha falado com ele a respeito do pai; fica sabendo naquele momento. A avó já sabe; Carlitos toma conhecimento da existência de um pai ali, na cozinha da casa da avó, ao mesmo tempo em que o espectador: o tio está se apresentando como tal na esperança de, com a morte iminente da avó, ficar com os US$ 300 dólares mensais que Rosário envia para Carlitos.



Estamos com uns 15 minutos de filme, e a situação básica já está bem delineada, os personagens já foram bem apresentados, já sabemos como eles são. O que virá a seguir é um belo filme, uma bela narrativa do que vai acontecendo com Rosário e Carlitos, dos dois lados da fronteira, dos dois lados do abismo.

O espectador se pega torcendo por aquela pobre gente

Uma das grandes qualidades do filme é a competência na construção dos personagens; eles deixam a nítida impressão de que são de carne e osso, não são figuras de papel. Não só os mais importantes, como a mãe, o filho, ou Enrique (Eugenio Derbez), que a diretora definiu, no making of, como um herói relutante, à la Hans Solo de Guerra nas Estrelas, mas também os que aparecem bem menos, como o casal de chicanos que fala inglês e está em dificuldades ou o descendente de índios – perdão, de native-americans – da lanchonete nos arredores de Tucson.



Outra beleza é a forma como o roteiro foi estruturado, e como se dão os cortes do que se passa em Los Angeles para o que se passa no México, e do México para Los Angeles. É trabalho de gente grande, competente, de talento. Quando a roteirista e a diretora cortam a narrativa de um lado para mostrar o que está ocorrendo do outro, cortam numa nota alta, num momento importante, de tal modo que o espectador fica absolutamente fisgado, curioso para ver o que vai acontecer em seguida no outro lado da fronteira.

Disse lá em cima que a conversa telefônica entre mãe e filho é de machucar o coração. Todo o filme é de machucar o coração; a diretora Patricia Riggen, tão jovem, soube com maestria de veterano como envolver emocionalmente o espectador na história que está contando. O espectador fica angustiado, torce, sofre. Nada de distanciamento brechtiano, de forma alguma. É envolvimento emocional mesmo, como numa novela ou bolero mexicano.

É um pouco o que o veterano diretor Fred Zinnemann fez em O Dia do Chacal: o espectador sabe que o atentado contra o presidente Charles de Gaulle não será concretizado, de Gaulle não morreu num atentado – mas o filme tem um suspense impressionante. Aqui, no fundo o espectador sabe o que vai acabar acontecendo, mas, mesmo assim, fica angustiado, torce, sofre.

O garoto Adrián Alonso dá um show. É uma interpretação extraordinária. Todo o elenco está bom, ou, no mínimo correto, mas o garoto é nota dez.

Torci muito por essa amizade improvável. 
Kate Del Castillo, que eu não conhecia, é belíssima; tudo indica que tem futuro, mesmo concorrendo com outras pérolas vindas da Espanha e do México, Salma Hayek, Penélope Cruz, Paz Veja. Não parece ainda uma atriz fabulosa, mas está bem no papel; e é jovem, pode aprender mais; nascida em 1972, já tem no currículo um monte de trabalhos na TV e no cinema, dos dois lados da fronteira entre o Império e esta nossa pobre América Latina.

Outra das muitas qualidades do filme é o bom uso da música mexicana, tão alegre ritmicamente e tão arrebatada, confessional, dramática nas letras. A música faz parte integrante da narrativa, o tempo todo.

O tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso na graduação em Psicologia foi Problemas Psicológicos na Migração com os Haitianos na cidade de Florianópolis/SC. Na época, eu pesquisei MUITO sobre os inúmeros tipos de Migração. Porém, foi o estagio na pastoral do Emigrante que me deu uma bagagem de conhecimento necessária para escrever um bom TCC e o conhecimento da realidade dessas pessoas que deixam as suas casas/ familiares arriscando-se para uma vida melhor em outro pais.

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© Lado Milla
Maira Gall