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28 de dezembro de 2020

LADO MILLA AWARDS 2020: Leituras de 2020... Parte2

 


Eu conheci o livro Bom dia, Verônica por meio da Leitura Coletiva promovida pela editora Darkiside. Porém, só consegui ler esse livro depois... A rotina da escrivã de polícia Verônica Torres era pacata, burocrática e repleta de sonhos interrompidos até aquela manhã. Um abismo se abre diante de seus pés de uma hora para outra quando, na mesma semana, ela presencia um suicídio inesperado e recebe a ligação anônima de uma mulher clamando por sua vida. Verônica sente um verdadeiro calafrio, mas abraça a oportunidade de mostrar suas habilidades investigativas e decide mergulhar sozinha nos dois casos. Um turbilhão de acontecimentos inesperados é desencadeado e a levam a um encontro com lado mais sombrio do coração humano. 

Se algum dia eu falei mal do Neil Gaiman eu não lembro... Coraline é uma leitura infanto-juvenil dos gêneros de: Fantasia, Horror e Ficção Científica com uma narração bastante adequada para esse público. uma das minhas melhores leituras do ano! 


A experiência mais... incrível (dã!) foi com a leitura do livro Por Lugares incríveis. Esse livro chegou em minhas mãos em uma dessas voltinhas despretensiosas na livraria em 2016... Primeiramente, a capa chamou a minha atenção com o jogo de montar do "Pequeno Engenheiro" estilo aquele dos anos 80-90. Não Lembro que ao folhear os primeiros capítulos fui observando que eu não estava em um momento bacana para ler esse livro... No Setembro Amarelo, sempre surgem leituras temáticas nessa época do ano. Surgiram duas leituras coletivas com experiências bem diferentes uma da outra que me faz pensar o quanto os leitores(as) não estão preparadas a compartilhar o seu conhecimento, empatia e solidariedade nos diferente tipos de leituras... 

A leitura do livro 𝑨 𝑳𝒐𝒏𝒈𝒂 𝑽𝒊𝒂𝒈𝒆𝒎 𝒂 𝑼𝒎 𝑷𝒆𝒒𝒖𝒆𝒏𝒐 𝑷𝒍𝒂𝒏𝒆𝒕𝒂 𝑯𝒐𝒔𝒕𝒊𝒍 foi uma leitura difícil ... Para não dizer chata. Perdi completamente a vontade de ler a continuação da trilogia. 

Eu comecei a leitura do livro Anexos, da Rainbow Rowell sabendo que era uma leitura que eu ia gostar muito "Eu leria até a lista de compras da autora." e mesmo assim me surpreendi com o enredo e com os personagens adultos.­­­­ 

A primeira vez que ouvi falar sobre o livro A Pequena Sereia & O Reino Das Ilusões as minhas expectativas eram bem baixas porque em geral essas releituras de contos de fadas não me agradam... Mas, resolvi dar uma chance porque geralmente os livros da linha DarkLove costumam me agradar bastante. O livro A Pequena Sereia & O Reino Das Ilusões embora, seja uma releitura de conto de fadas é uma leitura para maiores de 18 anos. Pois, são abordados assuntos como: abuso de menor, assédio, mutilação, automutilação, submissão, feminismo e machismo extremo e outros que foram abordados de uma forma um tanto quanto irresponsável. Deixando de lado a história de sua mãe que foi tratada de uma maneira resumida sendo que esse era o principal motivo de Gaia vir até a superfície. O que faz a narrativa feminista não fazer muito sentido e a partir dai o "Plot Twist" necessário durante a narrativa da história que realmente mostrou os objetivos da personagem desde o inicio e que realmente me surpreendeu. 


Nesse ano, eu fiz algumas re-lituras: Pretinha, eu? Uma menina negra ganhou uma bolsa de estudos em um colégio onde nunca havia entrado um aluno negro. Desencadeou-se uma história de discriminação, preconceito e muitas descobertas. Esse livro marcou muito a minha infância. Esse livro é Pretinha, eu? do autor Júlio Emílio Braz esse livro foi indicação de uma professora de português para a aula de leitura... Enfim, ja escrevi sobre esse livro aqui é sempre bom ver o quanto eu "amadureci" apesar das dores... E o livro Confissões de Adolescente, que é baseado na série de televisão homônima, exibida entre 1994 e 1996 pela TV Cultura e no livro de mesmo nome, ambos de autoria de Maria Mariana. O seriado, no qual são baseadas as personagens do filme, foi estrelado por Maria MarianaGeorgiana GóesDani Valente e Deborah Secco, que também participaram do filme, porém em outros papéis. 

O livro Flores para Argenon é narrado por Charlie Gordom um homem de 30 e poucos anos de idade que tem uma deficiência intelectual. Não temos muitos detalhes precisos sobre diagnósticos e o livro não se prende em "rotular" Charlie. Os Capítulos são escritos em formato de "Relatório de Progresso" que ele vai descrever sobre o seu dia-a-dia antes de passar por um experimento cientifico. 

Para relaxar, eu li alguns Mangás da Turma da Monica Jovem ainda irei fotografar o capricho da ultima edição que eu adquiri que tem até corte colorido.


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27 de dezembro de 2020

LADO MILLA AWARDS 2020: LEITURAS DE 2020... PARTE 01


Eu comecei o ano de 2020 terminado de ler o livro
Quem é você Alasca? do Johnn Grenn e escrevendo a resenha literária do meu Blog. Eu finalmente consegui entender a minha relação com o autor.

Acredito que a minha demora em ler Tartarugas Até Lá Embaixo do Johnn Grenn foram o tempo suficiente para curtir a leitura sem tanta pressão! autor John Green consegue de forma sutil indicar na sua escrita que a Aza está entrando em crise, e vai aumentando a pressão e a tensão na forma como escreve e descreve o crescendo da crise. Colocando o leitor entre uma linha tênue entre ficção e a realidade nos colocando naquele cantinho frio e escuro da mente da personagem Aza.

Eu soube da existência do livro O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman em uma das primeiras turnês da Intrínseca em 2013 e logo comprei. Mas, acabei não lendo na época...  Esse ano, eu li o primeiro livro do Neil Gaiman [Considerando que o livro "Faça Uma Boa Arte" é apenas um bom discurso com capa.]. Essa leitura não foi nem de longe uma das minhas leituras favoritas: Talvez  o gênero fantasia não funcione comigo, Talvez a leitura não funcionou para esse momento... Por isso, a minha grande dificuldade de mergulhar na história. Porém, um ponto interessante nessa leitura é a linha tênue que o escritor atravessa entre a fantasia e a realidade do Personagem com 7 anos de idade que condiz com a loucura para um louco que a sua realidade independente de ser fantasia/loucura é real para o sujeito. Na mesma sintuação, eu li Bling Ring - A Gangue de Hollywood A literatura baseia-se em um caso  Jornalístico dividida em três partes: O Monstro da Fama; A Dança dos Famosos e Quase Famosos. E os malefícios em criar um jovem adolescente em uma sociedade com um consumismo exacerbado e o que a mídia  põe em suas programações sobre a cultura dos  reality shows que é a  corrida pela fama a todo custo... Esperava realmente uma história baseando em fatos jornalísticos e foi uma leitura bastante decepcionante.

Então, começou a Quarentena... Precisei fazer umas compras no supermercado e na hora que passei as comprar observei que na prateleira de doces tinha revistas e livros... Encontrei  o livro O Diário de Myriam por apenas R$ 19,90! Essa foi oficialmente a minha primeira leitura da quarentena. Fiz uma tentativa de ler novamente  O Subistituto do autor David  Abandonei novamente e tirei esse livro do meu campo de visão...  A re-leitura de crônicas do livro Manual prático dos bons modos em livrarias foi muito nostálgica. Saudades, de uma livraria né minha filha?

Esse ano, eu conheci o termo Leitura Coletiva. Promovidas pelos IGs do Instagram ou Grupos de Leitura que são pessoas que se juntam para promover LC. Desde o início da pandemia, não perco a oportunidade de participar de leituras coletivas. Embora já existissem bem antes disso, elas se tornaram uma febre ainda maior entre leitores durante a quarentena. 

A primeira leitura que tirou completamente da minha "Zona de Conforto" foi Medicina Macabra que foi uma das leituras mais surpreendentes desse ano. do Thomas Morris do novo selo da DarkSide® Books o Macabra Filmes, promovendo filmes e seus criadores, apresentando com curadoria e critério os novos nomes do cinema de terror nacional e internacional.

Continue...


18 de dezembro de 2020

Resenha: Flores para Algernon

  


Ontem, eu terminei de ler o livro Flores para Algernon do autor Daniel Keyes. 

Esse livro contém gatilhos pois fala sobre: Saúde Mental, sofrimento psíquico violência na primeira infãncia, Bulling e suicídio. A relação social de uma pessoa com Deficiência Intelectual. A Crueldade e a falta de empatia das pessoas "normais" com pessoas deficientes intelectuais como o Charlie... 
O livro é narrado por Charlie Gordom um homem de 30 e poucos anos de idade que tem uma deficiência intelectual. Não temos muitos detalhes precisos sobre diagnósticos e o livro não se prende em "rotular" Charlie. Os Capítulos são escritos em formato de "Relatório de Progresso" que ele vai descrever sobre o seu dia-a-dia antes de passar por um experimento cientifico. As relações sociais de Charlie Gordom tornaram-se tão superficiais no decorrer da história, que não vejo como "personagens importantes" para a evolução do personagem... Doutor Strauss e o professor Nemur foram os responsáveis pelo experimento cientifico; Alice professora do Instituto para jovens retardados. A artista que era vizinha de apartamento do Charlie.

Que estranho é o fato de pessoas de sensibilidade e sentimentos honestos, que não tirariam vantagem de um homem que nasceu sem braços ou pernas ou olhos, não verem problema em maltratar um homem com pouca inteligência.



Flores para Algernon é o título de um conto de ficção científica e romance do escritor americano Daniel Keyes . O conto, escrito em 1958 e publicado pela primeira vez na edição de abril de 1959 da Revista de Fantasia e Ficção Científica , ganhou o Prêmio Hugo de Melhor Conto em 1960. O romance foi publicado em 1966 e foi co-vencedor do mesmo ano Prêmio Nebula para Melhor Novela (com Babel-17 ). Algernon é um rato de laboratório que passou por uma cirurgia para aumentar sua inteligência. 
A história é contada por uma série de Relatórios de Progresso escritos por Charlie Gordon, o primeiro sujeito humano para a cirurgia, e aborda temas éticos e morais, como o tratamento de deficientes mentais 

Sinopse: Uma cirurgia revolucionária promete aumentar o QI do paciente. Charlie Gordon, um homem com deficiência intelectual grave, é selecionado para se o primeiro humano a passar pelo procedimento. Em um avanço científico sem precedentes, a inteligência de Charlie aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que planejaram o experimento. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até sobre o papel de sua existência.

Flores para Algernon
Autor: Daniel Keyes
Tradutora: Luisa Geisler
Editora: Aleph
Ano de publicação: 1966
Ano desta edição: 2018
288 páginas

Avaliação: ☕☕☕☕☕


Daniel Keyes (9 de agosto de 1927 - 15 de junho de 2014) foi um escritor americano que escreveu o romance Flores para Algernon . Keyes recebeu a homenagem de Autor emérito da Science Fiction and Fantasy Writers of America em 2000. 

Até um homem de mente fraca quer ser como os outros homens. Uma criança pode não saber como se alimentar, ou o que comer, mas ela conhece a fome.

A minha identificação com a história deu-se pelo fato de eu ser formada em Psicologia e ouvir muitas vezes durante a minha graduação o "nojinho" presente nos relatos dos estagiários em trabalhar com saúde mental. Ao decorrer da narrativa de Charlie Gordon eu lembrei da frase de Carl Jung "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.". Faltando alma naqueles personagens cheios de diplomas e teorias... 


Mas, lidando com as pessoas com deficiência intelectual como sendo apenas objetos de estudo.O Charlie Gordon é um personagem encantador e muito bem construído. Ele é um personagem tão bom, mesmo depois de se tornar um gênio. O ruim são as pessoas em sua volta... Principalmente depois dos resultados do experimento. Durante a leitura percebemos que avanço intelectual não quer dizer desenvolvimento emocional e social. E esse foi um fator importante na construção do personagem. 

Apesar de sabermos que, no fim do labirinto, a morte nos aguarda (e isso é algo que nem sempre soube, até pouco tempo atrás, pois o adolescente em mim pensava que a morte acontecia só com outras pessoas), vejo agora que o caminho escolhido pelo labirinto me faz quem sou. Não sou apenas uma coisa, mas também uma maneira de ser – uma das muitas maneiras –, e saber os caminhos que percorri e os que me restam vai me ajudar a entender o que estou me tornando.

No inicio, vimos um Charlie que trabalha na padaria Donner. Em suas relações sociais vimos personagens tão sujos, que se aproveitavam da falta de intelectualidade e ingenuidade do Gordon, pessoas que se diziam amigos, mas na verdade só usavam-no como motivo de piada. Charlie estuda 3x por semana Instituto Beekmin para adultos retardados. 


Enquanto leitor, nós conseguimos sentir as nuances dos sentimentos e pensamentos de Charlie pelos Relatórios de Progressos escritos por ele mesmo, com alguns erros de português. No inicio, devido a sua deficiência intelectual e depois do experimento cientifico quando ele chegou no topo da inteligência e percebe a sua verdadeira relação com o ciclo social onde ele estava inserido... O livro Flores para Algernon tem uma escrita muito peculiar. Esse livro, não vai falar de invenções loucas ou viagens no tempo, nem nada desse tipo. Trata-se de uma ficção científica mais psicológica. Porém, não criem expectativas durante a leitura e mantenham-se conectados com o Charlie com todas as suas nuances de pensamentos e sentimentos.


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5 de outubro de 2020

Resenha: ECOS - EM HARMONIA COM OS IRMÃOS GRIMM da autora Pam Muñoz Ryan

 

Organizando a TBR de HALLOWEEN com os livros que eu pretendo ler no mês de outubro eu lembrei do livro ECOS - EM HARMONIA COM OS IRMÃOS GRIMM da autora Pam Muñoz Ryan lançado pela editora Darkside Books no ano de 2017. 
  
  

Titulo: ECOS - EM HARMONIA COM OS IRMÃOS GRIMM
Autora: Pam Muñoz Ryan
Editora: Darkside Books
Avaliação: ☕☕☕☕☕ 





A Segunda Guerra Mundial, foi um dos grandes momentos da história da humanidade e tem servido de inspiração para autores de muitas gerações, e provavelmente continuarão sendo ao longo da história. Essa guerra durou seis anos, mas teve toda uma preparação até chegar ao estopim, e foi tão intenso, como se tivesse durado séculos: E sabe o que provoca essa inspiração? A intolerância humanitária e o grande número de pessoas mortas. O livro ECOS, se debruça sobre esse momento vergonhoso da humanidade. São histórias que facilmente poderiam ter acontecido na época da Segunda Guerra Mundial. Porém, ela coloca uma pitada de realismo mágico, pronto para nos fazer rir, torcer, chorar. 


Os personagens importantes são: Otto,1. Friedrich, Mike Flanery, e Ivy Maria Lopes. 



A literatura nada mais é que Histórias que tocam em nossas almas, apertam nossos corações e entregam ele renovado, revigorado. Pronto para as nossas jornadas da vida. E isso a coleção Darklove sabe fazer "horrivelmente" bem. E essa edição da Editora Darkside Books dá um toque especial. Com a capa fazendo referência a floresta onde as jovens estavam trancafiadas, quase como um convite para nós leitores entrarmos na história, além dessa coloração de laranja neon, especial para a edição, que é quase impossível de não notar esse livro em qualquer lugar. Sem contar a diagramação, páginas que separam os capítulos e a partitura de algumas músicas citadas no livro. 



Tudo começa, 50 anos antes da segunda Guerra Mundial, Otto estava em uma floresta em algum lugar do mundo brincando de "Pira se esconde" (esconde-esconde), até que ele se perde na floresta e começa a ler um livro "A 13º Gaita de Otto Mensageiro" que comprara de uma cigana momentos antes. A história do livro é uma fábula, que discorre sobre três irmãs chamadas Eins, Zwei e Drei. Um, Dois e Três. Três princesas que foram abandonadas na floresta por seu pai, um rei que queria ter um filho homem que pudesse herdar o seu reino. As três princesas tinham uma relação intensa com a música, algo brilhante, único. Após a morte do rei, o irmão das princesas que agora era rei, decide ir encontrá-las. Entretanto, uma bruxa amaldiçoa as jovens garotas da seguinte maneira: 



"Chegaram aqui por uma mensageira.Devem partir da mesma maneira.De forma humana não sairão. Seus espíritos como o vento soprarão.Salvem uma alma à beira da morte. Ou aqui definharão á própria sorte." (Prólogo) 

Após ler sobre a maldição, o jovem Otto começa a perceber que está tarde e que ninguém consegue achá-lo. Ele triste com a possibilidade de não voltar para casa, começa a entrar em pânico. Porém, três jovens garotas, semelhantes a do livro se aproximam e começam a acalentá-lo e ao fim lhe entregam uma gaita. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: 

1. Friedrich, que nasceu com uma mancha no rosto de nascença vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; 

2. Mike Flanery, um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; 

3. Ivy Maria Lopes, uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. 

Pam Muñoz Ryan ganhou o Human and Civil Award da NEA, a associação de educação dos Estados Unidos, pela sua literatura que aborda temas multiculturais. Já escreveu mais de trinta livros, que acumularam inúmeros elogios e prêmios, incluindo dois Pura Belpré Awards, o Jane Addams Children’s Award e o Schneider Family Book Award. Por Ecos, ela recebeu a Newbery Honor Book, um dos prêmios mais importantes da literatura infanto juvenil americana. A autora vive perto de San Diego, Califórnia. 

OUTUBRO DE 1933 - TROSSIGEN, BADEN-WÜRTTEMBERG - ALEMANHA 



A história avança, agora para a época da Alemanha Nazista. Hitler acabara de se tornar chanceler e o Nazismo começa a se estabelecer naquele país. Conhecemos a história do jovem Friederich, ele tinha uma pequena deficiência em seu rosto, o que acabou afastando-lhe dos estudos. Seu pai e tio trabalhavam em uma fábrica de Gaitas, e ele então começou a ir até lá. Os operários gostavam bastante dele, gostavam de ensina-lo, visto que ele não ia à escola. Um dia, ele circulando pela fábrica, encontra uma gaita diferente das outras. Foi amor á primeira vista. E toda vez que ele tocava com essa gaita, todos ao seu redor eram possuídos por uma chama de amor única. 

Porém, as coisas não estavam ficando boas na sua família. sua irmã mais velha entrou para a juventude Hitlerista e seu pai que achava que aquilo não casava com seus princípios e acabou sendo preso. Então, seu tio pensou num plano de fuga. Será que iria dar certo? 

JUNHO DE 1935 - CONDADO DA FILADÉLFIA, PENSILVÂNIA - ESTADOS UNIDOS 


A história segue para dois anos depois, agora nos Estados Unidos, onde muitos jovens iam parar em orfanatos, ou abrigos religiosos, entre eles, os irmãos Mike e Frankie, que depois de perder seus pais, sua vó os criou, ensinando-lhes música. Porém ela ficou muito velha e não tinha mais condições de criá-los, levando-os a um único abrigo da região que possuía um piano. Eles não queriam se separar, porém tudo estava congregando para que isso ocorresse, até porque a diretora do abrigo queria que o irmão mais velho trabalhasse e se o mais novo não fosse adotado, ia para um orfanato estadual, que era muito pior do que o lugar em que eles estavam. 

Mas parece que a sorte viria aos jovens, que acabaram sendo adotados. Como eles não tinham vestimentas, em um dos dias saíram para comprá-las e pararam numa loja de música. Lá, Mike encontrou uma gaita única e diferente de tudo que tinha visto e levou-a pra casa. Toda vez que ele tocava, as almas das pessoas se remexiam de tanta beleza em cada nota entoada. Era única. Tudo para esses jovens pareciam estar bem, na verdade, quase tudo, visto que a pessoa que os adotou parece que não queria eles por lá. E agora? 

DEZEMBRO DE 1942 - SUL DA CALIFÓRNIA - ESTADOS UNIDOS 



Agora a história avançou para dentro da Segunda Guerra Mundial, pouco depois do ataque dos japoneses a Pearl Habor. Muitas pessoas morreram, e o ódio pelos japoneses crescera entre os americanos, mesmo aqueles que lutavam junto com eles na Segunda Guerra Mundial. Com isso, muitos japoneses que possuíam terras nos Estados Unidos, ou eram obrigados a vender, ou entregavam a norte americanos e eram enviados a campos de concentração (Sim, nos Estados Unidos também haviam campos de concentração, apesar de ser de outra perspectiva). Nesse contexto, a família de Maria Lopez, imigrantes mexicanos, foi enviada para o sul dos Estados Unidos para cuidar das terras de uns japoneses que foram para o campo de concentração e o mais jovem da família oriental, foi enviado para ajudar na guerra. 

A proposta é que se a família cuidasse bem da terra, poderia ficar com uma parte dela. E assim conhecemos mais desses imigrantes mexicanos, e de Ivy Maria Lopez, uma garotinha que vivia no mundo da lua, mas que tinha um amor enorme pela música. Certo dia, ela encontrou uma gaita especial, antes de se mudar para o Sul da Califórnia. Quando ela tocava, os corações das pessoas ao seu redor se acalentavam. Inclusive o do seu irmão que também foi enviado para guerra. 

A vida dessa família parecia que tinha melhorado, apesar de que ela estudava em um anexo da escola principal da cidade, por ser imigrante, muito comum naquele período. Porém, isso não impedira dela tentar fazer parte da orquestra da escola que ficava no prédio principal. Ou seja, esse não era um grande problema para ela. Pior, era o fato deles cuidarem de uma terra de japoneses. Afinal, era comum eles chegarem e verem tudo revirado, com pichações que diziam "voltem para seus países japoneses". E por mais que eles tentassem, as pessoas depredavam aquele local. Então, eles tinham medo de que quando o dono daquela terra voltasse da guerra, não assinasse o documento e os expulsasse de lá, achando que eles não tinham cuidado direito. Ou ainda, eles tinham mais medo de que a população local, arranjasse um pretexto para tirar aquelas terras da mão dos japoneses (Se fosse descoberto alguma coisa que indicasse espionagem, isso acontecia). Será que aquela guerra iria trazer uma instabilidade eterna para os Lopez? 


Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. 

Ao terminar cada história o coração fica apertadinho... Deixando o leitor com um ponto de interrogação (?) até o final das três histórias a própria autora falou sobre a dificuldade de tecer ambas. Geralmente eu leio nas madrugadas e ficava aflita a cada final de capitulo. chorei com os personagens: Friedrich, Mike Flanery e seu irmão caçula; e Ivy Maria Lopes. Pois histórias como essas ocorreram na vida real, que a segunda guerra foi capaz de dizimar famílias, levar crianças ao sofrimento dos campos de concentração, ficarem órfãs, não terem escolhas. 

Porém, a autora conseguiu integrar três coisas maravilhosas nesse livro: Música, História e Realismo Fantástico. A melodia das musicas clássicas estiveram no decorrer da história de cada personagem do inicio ao fim. 

ECOS - EM HARMONIA COM OS IRMÃOS GRIMM foi o primeiro contato que eu tive com a Editora. DarkSide Books, é a primeira Editora do Brasil dedicada ao terror e à fantasia A editora criou uma coleção Darklove com histórias sobre a força feminina na literatura. 

Diferente dos outros livros a autora quebra seu coração em pedacinhos três vezes e te deixa com um ponto de interrogação (?) até o final das três histórias a própria autora falou sobre a dificuldade de tecer ambas. Geralmente eu leio nas madrugadas e ficava aflita a cada final de capitulo. A autora consegue se redimir no ultimo capitulo tecendo um grande final para os personagens Friedrich, Mike Flanery e seu irmão caçula; e Ivy Maria Lopes. O resultado foi um final digno de um grande espetáculo de sons. 





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23 de setembro de 2020

Até a página 100... : Bom dia, Verônica, Ilana Casoy e Raphael Montes.


Livro:Bom dia, Verônica
Autores:Ilana Casoy e Raphael Montes
Editora: Darkside
Avaliação: ☕☕☕☕

Chegou a hora de abrir a caixa e revelar muito mais que um mistério — uma parceria, um pacto vivo a quatro mãos, um suspense que atormentou leitores e despertou questionamentos. Qual a verdadeira identidade de Andrea Killmore? Por trás de um thriller hipnotizante e surpreendente, duas mentes sombrias, familiares ao perigo e a todos os amantes da literatura dark: Casoy e Montes.



Primeira frase da página: Era o primeiro dia do fim da minha vida. Claro que eu não sabia disso quando abri os olhos pela manhã e vi que estava atrasada. 

Do que se trata o livro? A rotina da escrivã de polícia Verônica Torres era pacata, burocrática e repleta de sonhos interrompidos até aquela manhã. Um abismo se abre diante de seus pés de uma hora para outra quando, na mesma semana, ela presencia um suicídio inesperado e recebe a ligação anônima de uma mulher clamando por sua vida. Verônica sente um verdadeiro calafrio, mas abraça a oportunidade de mostrar suas habilidades investigativas e decide mergulhar sozinha nos dois casos. Um turbilhão de acontecimentos inesperados é desencadeado e a levam a um encontro com lado mais sombrio do coração humano. 


O que está achando até agora? Esse é a minha primeira experiência com a literatura da linha Crime Scene da DarkSide® Books. A idéia inicial, era começar ler o livro Bom dia, Verônica na Leitura Coletiva promovida pela DarkSide® Books. O meu amigo Pedro de MG me emprestou o seu livro. Porém, os correios resolveram entrar em greve... E só consegui receber esse livro no final da Leitura Coletiva. 


A leitura é pura intensidade em cada capitulo ou como dizíamos na L.C: é um "Eita atrás de Eita". Todos os personagens tem uma personalidade um tanto quanto sádicos... O assunto Violência Doméstica ainda é uma ferida aberta em uma sociedade completamente doente. Ler isso de uma forma tão explicita deixa a leitura bastante incômoda. 

O que está achando do protagonista? A protagonista Verônica Torres é escrivã de polícia com a rotina pacata, burocrática e repleta de sonhos interrompidos até aquela manhã. Verônica tem a oportunidade de mostrar suas habilidades investigativas e decide mergulhar sozinha nos dois casos. A Verônica é uma mulher frustrada com o seu atual cargo, o seu chefe deixa bem claro o motivo que mantém ela ali... Embora, ela parece bastante metida e bastante "amadora" nas suas investigações acho ela uma mulher bastante forte. 



Vai continuar lendo? Sim, mesmo saindo da minha zona de conforto literário achei essa história bastante instigante e feliz da vida que terá continuação... 

Melhores quotes até a página 100: 


"Vai por mim: não é fácil ser uma mulher de 38 anos e viver acima do peso. Não bastasse, segunda-feira costuma ser pior, é quando bate a culpa por ter perdido a linha no fim de semana." 

"Depois de alguns anos encostada num cargo de secretária na Polícia Civil do Estado de São Paulo, você começa a aprender as vantagens de ser invisível." 

"— Bom dia, Verônica — disse a moça invisível que me oferece café todo dia. Eu nunca soube o nome dela e tenho certeza de que ela só sabia o meu por causa da placa na mesa. "

"No Brasil, ninguém checa nada. A mulher se suicidou. Logo, caso encerrado." 

"O Waze era a salvação da minha vida. Nasci uma pessoa sem bússola; sou capaz de me perder dando a volta no quarteirão. Aquele aplicativo me levava direitinho ao destino, sem estresse. "

"Costumo dizer que o lugar que a gente mora nos identifica tanto quanto nossa impressão digital. A casa de Marta refletia bem aquela mulher trêmula e chorosa que havia se suicidado diante de mim no início do dia: estava uma bagunça; parecia minha bolsa, só que pior." 

"Peguei um copo d água na geladeira e aproveitei para dar uma conferida lá dentro. Muitas garrafas de Coca-Cola, pouca comida, um cheiro horrível de coisa estragada numa quentinha do restaurante Trattoria do Sargento, restinho de restinho dentro de potes grandes, sem qualquer organização." 

"Brandão tem esse talento: tudo em que ele encosta apodrece. Janete mal pode ouvir os primeiros acordes que sente náuseas, tem vontade de chorar. Faz as contas de quantos minutos ainda faltam para o plantão do marido. Poucos, faltam poucos. Logo, a noite será só dela. Mas Janete precisa ser forte." 

"— Tá na hora de arranjar uma nova empregada, hein, passarinha?
 Ela congela. Tem medo até de respirar. Volta a escuridão, voltam os gritos. As lágrimas escorrem pelo rosto contra sua vontade." 

Última frase da página: As trocas de mensagem avançavam em ritmo distinto.



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11 de setembro de 2020

"Até a página 100...": Por Lugares Incríveis, Jennifer Niven


No inicio, desse humilde Blog... Quando eu criticava os outros blogueiros por escrever  resenhas literárias (Sim, eu vivo para pagar com a minha própria  lingua!). Eu encontrei uma TAG que se chamava "Até a página 100...".  


Quando eu comecei a ler Por Lugares Incríveis da autora Jennifer Niven.  Eu senti que precisava escrever algo mais que uma resenha literária ao terminar de ler esse livro com uma grande carga emocional no decorrer da leitura que é necessário respirar a cada final de capitulo.

Será que hoje é um bom dia para morrer?

Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, a garota se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e chamado de "aberração" por onde passa. Para piorar, é obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.


Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular.

Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: conhecer lugares incríveis do estado onde moram. Ao lado de Finch, Violet para de contar os dias e finalmente passa a vivê-los. O garoto, por sua vez, encontra alguém com quem pode ser ele mesmo, e torce para que consiga se manter desperto.

Então, estou lendo esse livro junto com alguns amigos e ontem eu  dei um gás na leitura que estava bastante atrasada... A narrativa, contém uma grande carga emocional. No decorrer da leitura, é necessário respirar a cada final de capitulo.

Algo que me deixou bastante fragilizada foram os diálogos que geralmente acontecem na vida real  _ Talvez  você devesse subir lá e tentar mais uma vez _ Eu fiquei ruim duas vezes, quando me falaram da existência desse diálogo e quando eu realmente li no contexto. A frase “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” dito pela escritora inglesa Evelyn Beatrice Hall é a frase que simboliza o direito de livre expressão.  Porém, a sua "Liberdade de Expressão" acaba quando você fere com as suas palavras os sentimentos das outras pessoas! É problemático a falta de empatia com as dores que não são nossas: Apontar o dedo, fazer  piadinhas e comentários que incentivem a outra pessoa a cometer o suicídio.


Esse livro chegou em minhas mãos em uma dessas voltinhas despretensiosas na livraria em 2016... Primeiramente, a capa chamou a minha atenção com o jogo de montar do "Pequeno Engenheiro" estilo aquele dos anos 80-90. Não lembro de ler a sinopse na livraria. O ano de 2016, foi um ano com uma carga emocional intensa ao folhear os primeiros capítulos fui observando  que eu não estava em um momento bacana para ler esse livro então abandonei a leitura por um tempo. Hoje em dia, as coisas melhoraram...Graças a Deus! Tive medo dos possíveis "demônios" serem desenterrados durante a leitura. Porém, eu percebo que amadureci bastante de quatro anos para cá e a leitura esta fluindo bem.

Eu ainda não tenho uma opinião formada dos protagonistas Violet Markey  e Theodore Finch. A Violet Markey, está vivendo o luto da irmã mais velha que morreu em um acidente de carro que Violet estava e que sofreu apenas alguns arranhões. Além de todo o sofrimento do Theodore Finch durante a narrativa dos capítulos  sinto alguns tipos de transtornos mentais que não fica muito claro durante a leitura.

Finch?

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4 de setembro de 2020

Resenha:Tartarugas Até Lá Embaixo - John Green

 




TituloTartarugas Até Lá EmbaixoAutor: John Green
Ano: 2017

Páginas: 237
Idioma: português
Editora: Intrínseca 
Avaliação: ☕☕☕☕☕💓

Sinopse: A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.


O livro Tartarugas Até Lá Embaixo eu adquiri quando eu era assinante do Turista Literário ... As expectativas dos leitores que conheciam o John Green pelo "A Culpa é das Estrelas" eram enormes... Até pra o próprio autor, ele fala claramente isso em uma das suas entrevistas . Acredito que a minha demora em ler esse livro foram o tempo suficiente para curtir a leitura! 



A Capa de Livro é Tipográfica: Ao desenvolver uma capa tipográfica o designer busca valorizar as palavras que irão compor a capa do livro. Durante o processo criativo ele pode ser minimalista como pode ser extremamente expressivo. Tudo isso vai depender do tipo de fonte tipográfica que ele irá utilizar em sua composição. No caso de Tartarugas até lá embaixo o papel da Intrínseca foi mais de adaptação de uma arte que foi criada para o livro lá de fora, mas o trabalho foi bastante bem feito. 

O livro Tartarugas até lá embaixo tem diversos gatilhos ao longo das páginas. Então, se você é uma pessoa com altos níveis de ansiedade, com tendência a TOC, com pensamentos intrusivos, com dificuldade para lidar com automutilação (mesmo as mais leves possíveis), peço que considere ler Tartarugas até lá embaixo somente quando estiver bastante estável.

No inicio, somos apresentados a Aza Holmes uma adolescente de 16 anos que lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ao decorrer da leitura somos convidados a entrar na espiral junto com a Aza. Em um movimento alucinante e descendente de descontrole e de pensamentos ruins e tristes da personagem.

“O ser humano é tão dependente da linguagem que, até certo ponto, não consegue entender o que não podemos nomear. Por isso presumimos que as coisas sem nome não são reais. Usamos termos genéricos, como maluco ou dor crônica, termos que ao mesmo tempo marginalizam e minimizam. Dor crônica não exprime a dor inescapável, persistente, constante, opressiva. E o termo maluco chega até nós sem nem um pingo do terror e da preocupação que dominam você. E nenhum dos dois transmite a coragem das pessoas que enfrentam esse tipo de dor. (…)” p.88/89
O autor John Green consegue de forma sutil indicar na sua escrita que a Aza está entrando em crise, e vai aumentando a pressão e a tensão na forma como escreve e descreve o crescendo da crise. Colocando o leitor entre uma linha tênue entre ficção e a realidade nos colocando naquele cantinho frio e escuro da mente da personagem Aza.
“Penso: Você nunca vai se livrar disso. Penso: Você não controla seus pensamentos. Penso: Você está morrendo, e dentro de você tem bichos que vão comer seu corpo até irromperem pela pele. Eu penso e penso e penso.” p.91

Eu já tive outras experiências literárias que o personagem tinha algum sofrimento psicológico. Não é o meu estilo preferido de narrativa mostrando-se na maioria das vezes um tipo de leitura angustiante... 


Quando comecei a ler Tartarugas até lá Embaixo eu já estava acostumada com o tipo de literatura do John Green ele te faz sentir as coisas que os personagens estão sentindo no decorrer da leitura.

Eu me apeguei a personagem Aza de uma maneira especial. Foi necessário ler o que se passa com alguém com sérios problemas mentais. Uma pessoa que estava cercada de quem realmente se importava com ela, mas mesmo assim, seus problemas eram tão gigantes que não permitiam que enxergasse fora do seu próprio mundinho. Aza é sim muito auto - centrada e egocêntrica. Mas ela não consegue fugir da espiral da ansiedade e da angústia que é viver dentro de seu próprio corpo, com uma mente que a sabota a todo o momento

“Acho que não gosto de ter que viver num corpo, se é que isso faz sentido. Acho que talvez, no fundo, eu seja só um instrumento, uma coisa que existe apenas para transformar oxigênio em dióxido de carbono, um mero organismo nessa… nessa imensidão toda. E é um pouco aterrorizante pensar que o que eu considero como o meu… abre aspas, meu eu… fecha aspas… não está nem um pouco sob o meu controle.” p.102

O Transtorno Obsessivo Compulsivo tem várias nuances... E nenhuma delas é tão simples de não compreender cada pensamento: você não precisa ficar abrindo um machucado o tempo todo para ver se está infectado ou com pus. Muitos menos para reforçar a sensação de que você é você e está aqui. É óbvio que você não pegou uma bactéria mortal só porque entrou em um hospital.

“(…) E se a gente não pode escolher o que faz nem o que pensa, então talvez a gente não seja real, sabe? Talvez eu seja uma mentira que estou sussurrando para mim mesma e nada mais.” p.102

Sentimos uma tristeza que ela sente pela inadequação social que ela representa. Dá pra sentir todo o medo que Aza sente de que, talvez, ela nunca se torne um adulto funcional, e sempre dependa da mãe e de remédios para mantê-la estável.

A relação com os remédios é outra coisa que deixa você angustiado. É óbvio que os remédios ajudariam a estabilizar sua mente e a encontrar mais tranqüilidade na sua rotina. Mas os remédios na verdade são uma fonte de contradição e angústia para ela, porque como ela pode ser normal se precisa de medicação para estar entre outras pessoas normais? Senti falta de um possível atendimento Psicológico onde talvez diminuiria a angustia  de Aza.



A mente de Aza é o principal condutor da história... O  mistério do desaparecimento do pai de Davis foi uma forma de trazer Davis de volta para a vida de Aza, construir mais um pilar de desenvolvimento em sua “inadequação” social e de relacionamento com as pessoas. Antes a gente só conhecia seu relacionamento com Daisy, a “melhor amiga” que estuda na mesma escola. Com Davis, a gente passa a ver seu relacionamento amoroso, e como também pode ser mais uma fonte de tensão para Aza.

As minhas leituras de 2020

Davis e Aza são amigos desde pequenos, mas se afastaram com o passar dos anos. A princípio o ressurgimento de Aza na vida de Davis gera toda uma suspeita se é por conta da recompensa por informações sobre o desaparecimento de seu pai, ou por conta da amizade deles mesmo. 
Mas reconectar com Davis traz sentimentos que Aza não percebeu que existiam e também toda uma série de problemas a serem desenvolvidos por culpas de abraços, beijos, e interações que namorados costumam ter.

De certa forma, todos os personagens com que ela interage são “quebrados” à sua maneira. Mas perto de Aza, eles conseguem passar uma normalidade que a menina não consegue alcançar. Davis é o menino rico mas que cresceu sem nenhuma demonstração de amor paterno; Daisy é a menina pobre que vive “à sombra” da amiga complicada e difícil; Mychal é o artista que quer encontrar seu espaço e conquistar o coração da amiga; a mãe de Aza tem que lidar com o sofrimento de ter perdido o marido e não conseguir “controlar” os distúrbios da filha…

“(…) No fundo ninguém entende o que se passa com o outro. Está todo mundo preso dentro de si mesmo.” p. 228
 “É como se, quando eu olhasse para mim mesma, não visse nada definido… só um monte de pensamentos, atos e contextos. E muitos na verdade nem parecem meus. Muitos pensamentos eu não quero pensar, muitas coisas eu não quero fazer, é mais ou menos isso. Quando procuro o que eu sou, nunca encontro.” p.228

Tartarugas até lá embaixo não é um livro feliz... Nas ultimas páginas. eu tive impressão de estar lendo "Uma aflição imperial..." [ Só os leitores do "Culpinha" vai entender essa referencia]. Okay!

“O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais, sabe? Na vida real, algumas coisas melhoram e outras pioram. E aí a gente morre.” p. 258


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© Lado Milla
Maira Gall