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6 de maio de 2019

Canção de Segunda: Histórias de Jô's...


ZALUZEJO 
(A história de Josilene Raimunda da Silva)
Por Fernando Anitelli.

"Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda." (O Gigolô das palavras).

Outro dia, conversando com uma amiga estudante de "Letras" recebi a informação de que, de fato, é muito difícil encontrarmos pessoas que saibam falar português 100% correto... e o que seria este correto? seguir regras gramaticais? E as exceções? Seriam consideradas erros? Que ponte é esta que separa o formal do informal? E as novas expressões? E as palavras que surgem nos nossos dicionários a cada nova versão?

"Eu quero que delete meu e-mail do seu mailing list!" - Seria uma versão atualizada de: "Eu quero que risque meu nome da tua agenda!!" (?) - enfim... o que estamos discutindo é se falamos menos ou mais errados (errado?) O que importa é se estamos dizendo aquilo que gostaríamos de dizer... ou seja... não interessa o meu português... e sim, o que você entende daquilo que estou falando.

E foi a partir desta consideração que surgiu ZALUZEJO - canção em homenagem à Josilene Raimunda (uma empregada doméstica vinda de Pernambuco à 40 anos) que pra mim, é uma das grandes compositoras de palavras que já conheci... mas talvez... nem ela saiba disto... Como assim?
Certa ocasião, estava eu almoçando na casa de minha mãe quando Josilene, que almoçava comigo disse: "Fernando... sabia que antes de trabalhar na casa de sua mãe eu trabalhava na casa de um PIGILÓGICO?" - e, lógico, .... quem passou a perguntar fui eu: "PIGI... o quê?" ... "PIGILÓGICO poxa!... o doutor de cabeça!".

Foi então que percebi... que aquele modo todo próprio de falar estava na realidade me dizendo: psicólogo! Sim! Fechamos um diálogo! Ela falou, eu entendi e ponto final.

O assunto não parou por ali, ela me disse pra ligar no CEDULAR do meu pai e pedir pra ele passar no GADEFU para comprar LEITE DILATADO, LEITE INTREGAL, SUCRITCHO e OMOVEDOR AJACTU pra limpar o ZALUZEJO!

Com mais ou menos dificuldade, havíamos nos comunicado e isso é o que importava...

Diariamente conversávamos e diariamente anotei todas as palavras diferentes... algumas até, muito mais interessantes do que as originais como por exemplo: CAREJANGREJO (só pela palavra, parece que o bicho tem o tamanho de uma tartaruga!)

A conclusão disto tudo é uma música de sete minutos e meio feita somente com palavras e ditados da Jô, intitulada - ZALUZEJO.
Para justificar que nada disso é uma "tiração de sarro", e sim uma homenagem, a única estrofe que não tem palavras da Jô diz:

"Quando alguém te disser: tá errado ou errada...que não vai S na cebola, que não vai S em felizque o X pode ter som de Z, e o CH pode ter som de Xacredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz!"

Não interessa se você fala Asteristico, Asterisco ou Asterix... o que importa é se você vive o que fala... é muito mais simples.

Pois é... viver o que diz de vez em quando nos parece tão difícil... e de uma maneira natural e simples, não só a Jô, mas todas as "Jôs" espalhadas por aí nos mostram isto... e não precisa estar disposto a enxergar... basta estar disposto a ouvir!!




Zaluzejo
O Teatro Mágico

Composição: Fernando Anitelli

Ah eu tenho fé em Deus... né?
Tudo que eu peço ele me ouci... né?
Ai quando eu to com algum pobrema eu digo:
Meu Deus! me ajuda que eu to com esse problema!
Ai eu peço muito a Deus... ai eu fecho meus olhos... né?
eu Deus me ouci na hora que eu peço pra ele, né?
Eu desejo ir embora um dia pra Recife
não vou porque tenho medo de avião, de torro...de torroristo
ai eu tenho medo né?
Corra tudo bem... se Deus quiser... se deus quiser..."

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"eu sou uma pessoa muito divertida"

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"não sei falar direito"

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
graxite, vrido, zaluzejo
"não sei falar"

Tomar banho depois que passar roupa mata
Olhar no espelho depois que almoça entorta a boca
E o rádio diz que vai cair avião do céu
Senhora descasada namorando firme pra poder casar de véu

Quando for fazer compras no Gadefour:
Omovedor ajactu, sucritcho, leite dilatado, leite intregal,
Pra chegar na bioténica, rua de parelepídico
Pra ligar da doroviária, telefone cedular

Quando fizer calor e quiser ir pra praia de Cararatatuba,
cuidado com o carejangrejo
Tem que ta esbeldi, não pode comer pitz, pra tirar mal hálito
toma água do chuveiro
No salão de noite, tem coisa que não sei
Mulé com mulé é lésba e homi com homi é gay
Mas dizem que quem beija os dois é bixcional...
só não pode falar nada,
quando é baile de carnaval

Pra não ficar prenha e ficar passando mal, copo d'água
e pílula de ontemproccional
Homem gosta de mulher que tem fogo o dia inteiro,
cheiro no cangote, creme rinsa no cabelo
Pra segurar namorado morrendo de amor
escreve o nome num pepino e guarda no refrigelador,
na novela das otcho, Torre de papel,
Menina que não é virge, eu vejo casar de véu

Se você se assustar e tiver chilique,cuidado pra não morrer
de palaladi cadique
Tenho medo da geladeira, onde a gente guarda yogute,
porque no frio da tomada se cair água pode dá cicrutche
To comprando um apartamento e o negócio ta quase no fim
O que na verdade preocupa é o preço do condostim
O sinico lá do prédio, certa vez outro dia me disse:
Que o mundo vai se acaba no ano 2000 é o que diz o acalipse

Tenho medo de tudo que vejo e aparece na televisão
Os preju do Carajundu fugiram em buraco cavado no chão
Torrorista, assassino e bandido, gente que já trouxe muita dor
O que na verdade preocupa é a fuga do seucrostador
Seucrosta quem não tem dinheiro, quem não tem emprego
e não tem condução
Documento eu levo na proxeca porque é perigoso carregar na mão

Mas quando alguém te disser ta errado ou errada
Que não vai S na cebola e não vai S em feliz
Que o X pode ter som de Z e o CH pode ter som de X
Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz

"e eu sou uma pessoa muito divertida...
eles não inventavam nada... eu gostava de inventar as coisa
não sei falar direito...
inventar uma piada, inventar uma palavra, inventa uma brincadeira...
não sei falar
me da um golinho... me da um golinho..."

E com muito prazer que eu convido agora todos aqueles
que estão ouvindo esta canção
Para entoar em uníssono o cântico: Omovedor, Carejangrejo
Vamos aquecer a nossa voz cantando assim:
Iô,iô,iô. Iô,iô,iô,iô, eu digo:
Omovedor, Carejangrejo, Omovedor, carejangrejo... Omovedor!
"omovedor... carejangrejo... só isso que eu sei falar!"





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29 de abril de 2019

“Fernando Anitelli apresenta: O Teatro Magico – Voz e Violão”


Quando eu comecei a escrever na blogosfera (Inicio do ano 2000), eu conversava com freqüência com outras pessoas que também escreviam suas mazelas na blogs. Sou péssimas em datas. Mas, lembro que em 2003 conversavamos na internet pelo MSN Messenger*. Um certo dia, uma dessas blogueiras que eu conversava na época, a Lud de Osasco/SP e nos seu status sempre estava escrito assim Ana e o mar - Teatro Mágico... ♫ e sem querer ela apresentou-me umas 3ou9 musicas de uma banda um tanto diferente dos padrões musicais em que eu estava acostumada a ouvir. Artistas independentes, donos de uma música poética e com conteúdo, a trupe “O Teatro Mágico”.

***

Sábado, dia 27 de abril de 2019, Em Florianópolis na capital de Santa Catarina, a temperatura da cidade estava caindo gradativamente, com  uma chuva finininha... A Ilha da Mágia digo, Florianópolis, saturada de falta de cultura e bons shows… Naquela noite, recebeu Fernando Anitelli apresenta: O Teatro Magico – Voz e Violão.


A cidade onde moro, é a capital do estado de SC, mas, quando se procura “eventos culturais” na city… Aqui mais parece cidade do interior. Mãããsss a questão era que tinha um programa nostálgico e emocionante que eu sabia que eu ia me emocionar bastante rs, na minha querida cof, cof cidade, não podia pensar na possibilidade de não ir. 

O Centro Integrado de Cultura Professor Henrique da Silva Fontes (CIC) é um conjunto de edifícios onde se realizam diversas manifestações culturais, localizados em Florianópolis. Ao todo, perfaz uma área de 9 993 m/². É um dos teatros mais “chiques” aqui da região. O clima do show é clean e a roupa também tem que ter o mesmo clima sem o tênis surrado companheiro fiel de chalaças. O CIC é um teatro grande, comparados aos outros dois teatros mais novos da cidade. O ambiente é aconchegante e bem bacana para shows. Cheguei uns 30min antes no CIC para comprar ingresso (graças à falta de divulgação ainda tinha ingresso na hora…) as poltronas são numeradas. Então, não pode entrar e sentar na poltrona que quiser (Organização!).


Fernando Anitelli após 13 anos de estrada com O Teatro Magico e a companhia musical visita suas raízes, seus primeiros passos, dialoga com a atualidade e revela canções inéditas com um show mais intimista aproximando cada vez mais o artista com o seu publico. 

Confesso que, eu estava acostumada com a trupe do Teatro Magico que eu assistia no DVD... sendo essa a característica do projeto sempre ter sido marcada por suas apresentações que misturavam uma série de performances, tudo teve início no álbum solo de Anitelli (inspirado na leitura do livro “O Lobo da Estepe” de Herman Hesse) e em suas apresentações de voz e violão realizadas em diversos locais! Apesar disso... Acredito que, um teatro não suportaria um show que não fosse em um formato acústico.
“Gravamos o álbum inteiro na levada de voz e violão (sem metrônomo) e só no final resolvemos experimentar outros sons, vozes, instrumentos e ruídos! Fomos então para a segunda fase do projeto e convidamos mais de 25 pessoas para participarem dessa aventura! Saímos gravando tudo ao contrário! As peças tinham que se encaixar nas levadas e na essência da música! Posteriormente, quando pensamos no palco, inserimos outros instrumentos e modalidades artísticas para que pudéssemos conceber essa outra fase nas apresentações ao vivo!”
Quando o Fernando Anitelli começou a recitar os primeiros versos: Sem horas e sem dores/Respeitável público pagão/Bem-vindo ao Teatro Mágico/Sintaxe à vontade... Foi impossível de não lembrar da Milla com 17 aninhos ouvindo Teatro Mágico no disckmam sendo considerada uma adolescente super cooll. Chorei mexxxxmo sem vergonha nenhuma (no escuro ninguém poderia julgar as minhas lágrimas.).

Na medida que ele vai cantando um repertório de músicas inéditas e também cantará seus principais sucessos junto ao público. Ele falou de assuntos políticos sem cair na velha máxima "Ele não!" ou "Petralhas" de uma maneira sutil tipico de um artista que sabe tem o publico na mão. Que são raros!

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... Depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só


Nas ultimas musicas ele perguntou para o publico se gostariam de levantar algumas pessoas (EU) levantaram-se e foram para perto do palco para cantar camarada D'Água e anjo mais velho... No final do show. Que ninguém queria que acabasse...  Nós cantamos anjo mais velho com Fernando Anitelli em cima do palco FOI MARAVILHOSO! E foi difícil não querer registrar.


As musicas do teatro mágico já fazem parte da tal memória afetiva (Fora as musicas mais novas) aquela guriazinha de 17 anos estava comigo e também faz parte de quem sou hoje... comprando a camiseta e o adesivo feliz da vida por estar vivendo TUDO aquilo...

O CD e o DVD eu já tinha só comprei a camiseta.
Esse foi o meu primeiro show , do segundo show da mesma na minha cidade ¬¬ Quem vai ao show do Teatro Mágico encontra a famosa barraquinha com a venda de produtos. CDs, DVDs, camisetas, chaveiros, materiais escolares, pijamas, fronhas....tudo que se possa imaginar e onde cabe a poesia de Fernando Anitelli está lá, à venda.

O adesivo esá na porta do meu quarto.
Na parte “camarim” que não teve, o Fernando Anitelli ficou conversando com o publico  que fez fila no “Hall” do teatro todo mundo queria; uma foto, um “oi, tudo bem!”, uma dedicatória no CD recém-comprado… O Fernando é um querido e deu um show de simpatia querendo saber se era a 1° vez que eu ia no show/ perguntando o que eu tinha achado do show naquele formato e assinando folhinhas aleatórias e o livreto do CD





*As ultimas fotografias foram registradas  por uma profissional que trabalha no teatro.


** MSN Messenger foi um programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft Corporation. O serviço nasceu a 22 de Julho de 1999, anunciando-se como um serviço que permitia falar com uma pessoa através de conversas instantâneas pela Internet.

*** Falei da Lud como se todo mundo aqui conhecesse... Ela foi uma das primeiras amigas virtuias nessa blogosfera quando tudo isso aqui ainda era mato hehehe. A Lud morava em Santos/SP e tinha um blog chamado Insanidades de uma Garotinha... que ja esta desativado.



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15 de abril de 2019

Canção de Segunda : Vou Com Você - Acústicos & Valvulados



A musica Vou Com Você apareceu pela primeira vez no DVD “Acústico, Ao Vivo  A Cores” (2007), e agora ganhou uma versão de estúdio com Rafael Malenotti nos vocais. “Foi minha primeira composição individual que a banda gravou”, conta Móica. A inspiração veio enquanto ele olhava uma foto do seu pai com 18 anos no exército, e foi concluída rapidamente, em minutos – um sentimento que caiu no papel.“Talvez seja por isso que muitos se identificam com ela”, explica.

 Turnê "Chame a familia" é uma piadinha interna com oos meninos da banda quando carrego os meus pais para os shows da banda.
Acústicos & Valvulados - Vou Com Você [Lyric Video] Vídeo feito com a participação dos fãs da banda. Também tem a letra pra todo mundo cantar junto!




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5 de novembro de 2018

Canção de Segunda : Pelas Tabelas - Chico Buarque


Há exatamente 30 anos, em um 16 de abril, uma passeata saiu da Praça da Sé em direção ao Vale do Anhangabaú, em São Paulo, para declarar um imponente desejo: “eu quero votar para presidente”. Um milhão e meio de pessoas participaram da maior manifestação das Diretas Já e também a maior da história do Brasil. A enorme mobilização paulistana, que encerrou uma série de protestos e comícios por todo o país, foi insuficiente para a aprovação, no Congresso, da emenda Dante de Oliveira, que permitiria as eleições diretas para a presidência já no ano seguinte. Porém, o movimento abriu caminho para a eleição indireta de uma chapa civil em 1985 e o sufrágio universal em 1989. 

O agito e a inquietação do povo durante as Diretas Já inspiraram Chico a compor Pelas tabelas, música que abre seu disco de 1984 (e que foi regravada em Uma palavra, de 1995). Na canção, um homem procura por uma mulher no meio dos comícios e, claro, fica enlouquecido com o barulho e a movimentação das pessoas. 



Pelas tabelas é um samba difícil de cantar. Ele acelera à medida que passa, ganha intensidade rítmica e vocal e repete freneticamente os seus versos. Em determinado momento, Chico entoa: 

“Eu jurei que era ela que vinha chegando com minha cabeça já numa baixela”. 

Muitos enxergam aí uma referência ao então presidente militar João Batista Figueiredo, homônimo do primo de Jesus Cristo que teve a cabeça cortada e oferecida numa bandeja de prata à amante. Chico Buarque apenas acha graça da analogia. 

Dez anos depois do lançamento, o cantor incluiu a música em seu show, e negava, naquele momento, qualquer conotação política com a decisão. 


Na época, à Folha de S. Paulo, ele disse: 

No show eu canto uma música que fala [de política] e que agora não tem mais nada a ver com o momento em que ela foi composta. Me perguntaram por que essa música política no meio do show. Mas ela é na verdade um pouco a negação disso tudo. (…) É essa confusão do individual com o coletivo, e aponta muito para o individual naquele momento coletivo. Mas a leitura predominante é a política, que é uma leitura viciada. ‘Pelas tabelas’ é um samba que eu gosto de cantar e que estou cantando nesse show porque ele também tem um pouco essa confusão do “Estorvo” [livro de Chico lançado em 1991], essa barafunda mental.


Pelas Tabelas

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com a minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu pensei que era ela puxando o cordão

8 horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando pra mim

Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de homem que olhava as favelas

Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já pelas tabelas

Claro que ninguém se toca com a minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu pensei que era ela puxando o cordão

Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando vi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando pra mim

Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas

Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já em uma baixela

8 de outubro de 2018

Cançâo de Segunda: Música de Brinquedo


Pato Fu é uma banda brasileira de rock alternativo formada em 1992 da banda Sustados por 1 Gesto, na cidade de Belo Horizonte. Ao lado de bandas como Radiohead, U2 e Portishead, foi considerada pela revista Time uma das dez melhores bandas do mundo fora dos Estados Unidos. Composta atualmente por Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Glauco Nastacia e Lulu Camargo, a banda possui um som que vai do rock alternativo à música experimental, incluindo influências eletrônicas em certas faixas. Entre as músicas que a banda gravou mais famosas estão "Sobre o Tempo", "Antes que Seja Tarde", "Depois", "Perdendo Dentes", "Made in Japan" e "Ando Meio Desligado" (regravação d'Os Mutantes). 



O grupo também é conhecido por ter lançado o álbum Música de Brinquedo, em 2010, um disco tocado somente com instrumentos de brinquedo, com o qual conquistou o Disco de Ouro, em 2011, por seu selo independente Rotomusic, vencedor do Grammy 2011 (The Latin Recording Academy) de melhor álbum de música latina para crianças. Como o próprio nome já revela, o disco foi gravado usando somente instrumentos de brinquedo e miniaturas. A filha de Fernanda e John, Nina Takai, empresta sua voz em algumas faixas do disco que, apesar de não ser propriamente para crianças, brinca bastante com a sonoridade infantil. É composto por 12 regravações de músicas famosas nacionais e internacionais e ganhou grande receptividade do público.



1. "Primavera (Vai Chuva) (cover de Tim Maia)
2. "Sonífera Ilha (cover dos Titãs)
3. "Rock and Roll Lullaby (cover de B. J. Thomas) 
4. "Frevo Mulher (cover de Zé Ramalho)" 
5. "Ovelha Negra (cover de Rita Lee)" 
6. "Todos Estão Surdos (cover de Roberto Carlos)
7. "Live and Let Die (cover dos Wings)
8. "Pelo Interfone (cover de Ritchie)
9. "Twiggy Twiggy (cover do Pizzicato Five)
10. "My Girl (cover de The Temptations)
11. "Ska (cover dos Paralamas do Sucesso)
12. "Love Me Tender (cover de Elvis Presley)


Encontrei a Playlist do album "Musica de Brinquedo" no Spotify:





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17 de setembro de 2018

Canção de Segunda: Sunflower: Sierra Burgess é uma Loser.

*Tradução da trilha sonora do filme Sierra Burgess é uma Loser.



Girassol
Meninas rosa em vasos de vidro
Corpos perfeitos, rostos perfeitos
Todos pertencem a revistas
Aquelas garotas que os garotos estão perseguindo
Ganhando todos os jogos que eles estão jogando
Eles estão sempre em uma liga diferente
Estendendo-se para o céu como se eu não me importasse
Desejando que você pudesse me ver ali de pé

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçado
Se eu fosse uma rosa, talvez você me queira
Se eu pudesse, mudaria durante a noite
Eu me transformaria em algo que você gostaria

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçado
Se eu fosse uma rosa, talvez você me escolhesse
Mas eu sei que você não tem idéia
Este girassol está esperando por você
Esperando Por Você

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçado
E se eu fosse ela, talvez você me escolhesse
Mas eu sei que você não tem idéia
Este girassol está esperando por você
Esperando Por Você

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11 de agosto de 2018

Canção de Segunda: A história da musica "Sá Marina" de Wilson Simonal



Quando Wilson Simonal gravou “Sá Marina”, em 1968, todo mundo imaginou aquela mulher que descia a rua da ladeira, com sua saia branca costumeira, e que cheirava a flor de laranjeira…

Essa canção, uma letra de Tibério Gaspar para uma música de Antonio Adolfo, relata uma paixão de Tibério por sua professora no interior do Rio de Janeiro, quando ele tinha 8 anos.

“Na cidade morava uma professora chamada Brasilina, uma mulher loura, bonita, desejada pelos homens e odiada pelas mulheres. Ela morava na Rua da Ladeira (…) E quando ela saía de casadescendo a rua, os pudores se reviravam. Enquanto os homens babavam, as mulheres cuspiam na calçada, batendo janelas.(…)

‘Eu amava essa mulher’, afirma um saudoso Tibério. ‘Uma vez engendrei um plano audacioso. Eu tinha uns oito anos. Aproveitando o fato de minha mãe ser amiga dela, pedi que me levasse junto quando fosse visitá-la. E assim aconteceu após alguns dias. Minha mãe chamou-me e fomos pra casa de Brasilina. Chegando lá, pus em prática o meu plano de ‘assédio sexual’. Propositalmente esqueci um pente no sofá da sala na hora de ir embora. Minha intenção era voltar à noitinha para resgatá-lo. Tudo certo. Fiz tudo como planejara. à noite dei uma escorregada até a casa da professora e….


Tibério, tímido, não teve coragem. 

Ficou plantado na porta. 
O pente fiocu lá, esquecido. 

Um belo dia, Brasilina foi embora. Resolveu morar em Niterói, e a vida de Anta voltou a ter a monotonia de sempre… Foi assim que Brasilina inspirou Tibério a fazer a letra da canção, só mudando o nome da muas para Sá Marina, que era mais musical…

Conta Tibério ainda sobre a canção…


“Interessante é que anos mais tarde, depois que a música fez sucesso, eu fui procurado pelo programa de Flavio Cavalcanti. O programa dele tinha o quadro “Os compositores e suas musas”. daí ele me chamou para falar sobre Sá Marina. Contei que não sabia com precisão onde morava. sabia apenas que ela havia se mudado para Niterói.
A produção do programa foi atrás de Brasilina. (…)Ela falou que conhecia a música, que tinha adorado tudo que estava sendo falado, mas que não queria ir ao programa, não queria que tirassem fotografias e que nem a filmassem. “Quero que Tiberinho continue a ter a mesma ideia de mim como eu era antigamente. Agora estou velha e não quero que ele me veja assim…”

E assim surgiu um dos maiores, se não o maior sucesso de Simonal… e a canção teve mais de 300 gravações… E ainda dá para imaginar a moça descendo a rua da ladeira, provocando rebuliço naquela cidade do interior…




Descendo a rua da ladeira
Só quem viu, que pode contar
Cheirando a flôr de laranjeira
Sá Marina vem prá dançar…

De saia branca costumeira
Gira ao sol, que parou prá olhar
Com seu jeitinho tão faceira
Fez o povo inteiro cantar…

Roda pela vida afora
E põe prá fora esta alegria
Dança que amanhece o dia
Prá se cantar
Gira, que essa gente aflita
Se agita e segue no seu passo
Mostra toda essa poesia do olhar
Huuuuuuummmm!…

Deixando versos na partida
E só cantigas prá se cantar
Naquela tarde de domingo
Fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar…

Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!

Oh!
Deixando versos na partida
E só cantigas prá se cantar
Naquela tarde de domingo
Fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar…

Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!

E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar…

Descendo a rua da ladeira
Só quem viu, que pode contar
Cheirando a flôr de laranjeira
Sá Marina vem prá dançar…

De saia branca costumeira
Gira ao sol, que parou prá olhar
Com seu jeitinho tão faceira
Fez o povo inteiro cantar…

Roda pela vida afora
E põe prá fora esta alegria
Dança que amanhece o dia
Prá se cantar
Gira, que essa gente aflita
Se agita e segue no seu passo
Mostra toda essa poesia do olhar
Huuuuuuummmm!…

Deixando versos na partida
E só cantigas prá se cantar
Naquela tarde de domingo
Fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar…

Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!

Oh!
Deixando versos na partida
E só cantigas prá se cantar
Naquela tarde de domingo
Fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar…

Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!
Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá Lá!

E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar
E fez o povo inteiro chorar…


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16 de maio de 2018

A história por trás de 'Bella Ciao', hino dos protagonistas de 'La Casa de Papel'


Todo fã de verdade de La Casa de Papel, a série espanhola de ficção que mostra quase em tempo real um assalto bilionário à Casa da Moeda de Madri, já conhece Bella Ciao, a canção entoada pelos protagonistas em momentos-chave da trama .



A música é ouvida pela primeira vez em um flashback que mostra os personagens Professor (Álvaro Morte) e Berlim (Pedro Alonso). Berlim pede que o Professor prometa que eles não serão presos se as coisas se complicarem durante o assalto. A canção também é entoada em outros momentos da série (vamos evitar dar mais spoilers aqui).

Muitas pessoas podem não saber, mas Bella Ciao tem muita história, não é uma canção feita para o popular seriado da Netflix.

A música foi hino da resistência italiana contra o fascismo de Benito Mussolini e das tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa referência aparece na série, sendo revelada pela personagem Tóquio (Úrsula Corberó), ao falar do mentor do assalto. "A vida de Professor girava em torno de uma única ideia 'Resistência'. Seu avô, que tinha ficado ao lado dos 'partigiani' (como são chamados os heróis da resistência antifascista na Itália) para derrotar os fascistas na Itália, lhe havia ensinado essa música e depois ele nos ensinou", diz ela numa cena.

A canção 'Bella Ciao' foi entoada em diversas manifestações celebrando o 73º aniversário da liberação da Itália do fascismo

Na última quarta-feira, 25, quando a Itália celebrava 73 anos de sua libertação do nazifascismo, a música foi entoada em diversas cidades do país. 

Mas a origem de Bella Ciao pode ser ainda mais antiga. 
Alguns sugerem que a melodia é uma adaptação de uma canção Klezmer, um gênero que emerge da tradição musical de judeus asquenazes, da Europa Oriental. Mais especificamente de "Oi Oi di Koilen", do acordeonista ucraniano Mishka Ziganoff, que foi gravada em Nova York em 1919.

Ao ouvir esta melodia em iídiche (dialeto das comunidades judaicas da Europa Central e Oriental) são várias as semelhanças com Bella Ciao.

O hino da resistência italiana teria sido levado ao país por um imigrante que estava nos Estados Unidos. De acordo com outra versão, Bella Ciao teria surgido das canções populares das trabalhadoras dos campos de arroz do vale do rio Pó, no norte da Itália, no século 19. Canções populares como Picchia alla porticella e Fior di tomba têm trechos que lembram Bella Ciao.

O personagem Berlim em cena de 'La Casa de Papel'

Hino internacional de resistência


Mas a história de Bella Ciao não termina aí.

Nos anos 60, a música se tornou um hino popular durante as manifestações de trabalhadores e estudantes na Itália.

No governo de Silvio Berlusconi, partidos de esquerda italianos cantavam a música antifascista como forma de protesto.

Mais recentemente, durante uma manifestação de bancários por aumento salarial em Buenos Aires, os funcionários parodiaram a letra de Bella Ciao e cantaram para o governo de Mauricio Macri: 

"Somos bancários, queremos aumento e Macri tchau, tchau, tchau".

Manifestantes na Turquia usam as máscaras de Salvador Dalí dos personagens de 'La Casa de Papel'

Em 2013, Bella Ciao foi entoada em protestos em Istambul e, em 2014, nos atos pró-democracia em Hong Kong. Na Grécia, partidos de extrema esquerda também utlizaram a canção em campanhas eleitorais.

Há várias versões de Bella Ciao em ritmos que vão do punk ao ska. A canção foi gravada por Mercedes Sosa e Manu Chao, entre outros.

No Chile, no início dos anos 1970, durante o governo de Salvador Allende, o grupo Quilapayún adotou Bella Ciao como uma canção de protesto.


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© Lado Milla
Maira Gall