3 de junho de 2015

Diálogo nas Entrelinhas...

— E aí, Sumida?

(Pô, boy, não ferra. Não vê o caos que essa pequena palavra me causa? Eu tava indo bem, sabe? Bebendo minha rotina como se ela fosse um sonífero de qualidade ruim, tentando escapar de qualquer jeito das memórias que cutucam meu corpo cansado. Eu tô cansada de tanto pensar em você. Você não faz ideia, boy, mas tomo overdose tua todas as noites, quando deito a cabeça no travesseiro. Não preciso nem dormir, porque você me vem em sonho de olhos abertos, enquanto fico patética encarando o teto do quarto, imaginando qual teto que te cobre...) 
— E aí, tudo bem?

(Ah, morena, mesmo não movendo nenhuma vírgula para te encontrar precisava te encarar e perguntar o porquê que você saiu tão apática daquela festa... Eu esperava que você ao menos gritasse e esperneasse. Queria saber o que você estava sentindo me vendo com outra... Ops, agora é minha namorada..)
— Tudo certo, senti sua falta. 

(Cínico. Cínico, escroto, idiota, imbecil. Tenho tanta raiva tua, que poderia lançar esse celular na parede. Como assim, cara? Vem me chamar de sumida e dizer que sente minha falta? Se sente minha falta, por que não veio me procurar? Ai como eu sou burra!!! Eu deveria estar rindo de você por sentir minha falta, ao invés de ficar feliz por essas mensagens minimalistas que dizem pouco, mas dizem demais. Odeio você. Isso. Exatamente isso que vou te responder. O-d-e-i-o-v-o-c-ê...)
— Senti tua falta também.

(Ah, morena, nós estávamos nos vendo com certa frequência que confesso já estava me sentindo “sufocado”, mas, depois percebi que a sua presença me faz falta... A culpa é sua! Por ser tão 8 ou 80 e “mimadinha”). 
— E aí, saindo muito?

(Queria te dizer que ando saindo demais, mas a verdade é que ando me escondendo do mundo. Sei lá, boy, estava com medo de esbarrar no teu sorriso e quebrar meu coração de novo... Deu um trabalhão danado colar pedaço por pedaço. Agora meu coração pulsa levemente descoordenado. Meio manco, talvez. Então, sendo bem sincera, eu não ando saindo. Nada. Só vou à padaria, comprar um pedaço de sonho, para tentar adoçar do lado de dentro...)
— Sim, muito. E você?

(Mais ou menos. Tenho feito aqueles mesmos "programinhas de casal". No começo foi gostoso... Ela não sorriu pelo fato do meu quarto ser da cor "azul calcinha" e confessou logo depois que não achou graça... Ah, morena, como você me faz falta: seu sorriso meio torto, sua gargalhada escandalosa e sua forma estranha de falar sobre os seus sentimentos).
— Sim, bastante também.

(Good for you. Deve ser bom ter uma namorada parceira, não é? Como fui besta de acreditar que eu e você naquele quarto era suficiente. A gente tinha um céu só nosso e o mundo poderia acabar com a gente ali dentro que, para mim, tudo estaria bem. Fui inocente em crer que éramos suficientes por sermos só. Mas tudo bem. Vida que segue, não é? Mesmo doendo demais aqui dentro — e que eu não transpareça essa dorzinha miúda — quero que você seja feliz. Enormemente feliz. É isso...)
— Foi bom conversar contigo... Mas preciso ir. 

(Te encontrei passando de carro próximo ao meu bairro. Será que você me viu? Foi rápido, mas, percebi que a sua expressão estava apática... Ah, morena, confesso que" sua ausência em mim fez morada..." li isso em algum lugar.)
— Hei, espera... Tens vindo muito para o "Sul da ilha"?

(Devo confessar? Mudei a rota da minha vida, só para tentar esbarrar na tua. Contei não? Sou levemente masoquista e tento me torturar com memórias que o estômago já enjoou de remoer. Vou sempre para o Sul da Ilha, porque tem muito de nós dois perdido naquelas esquinas e seria insanidade demais permitir que a memória te esqueça...)
— Não... Bem pouco. 

(Quero te encontrar! Quero muito te encontrar. Quero você de novo).
— Ok, a gente se encontra por ai...


#plural é um projeto do blog Palavras e silêncio da M° Fernanda Probst

2 de junho de 2015

#01 D. Rosa: E o peso da vida...

Livremente inspirado nesse blog genial aqui

Eu estava cansada, Eram mais ou menos 13:00 horas e eu já estava no estágio na Pastoral em um dia a típico (naquela semana, teve GETEP na faculdade me impossibilitando de ir na quarta-feira que é o meu dia de estar na Pastoral.). Não estava tão entediada... mas, confesso que queria que chegasse as 17:00 horas rapidinho para finalmente ir para casa.

As minhas Sextas-feiras costumam ser os dias mais calmos da semana. Não tenho aula, então posso acordar mais tarde do que o costume e almoço em casa. No estágio, geralmente é calmo também... Os "perregues" maiores costumam ser no inicio da semana, e quando digo perrengues é o que estamos acostumadas a fazer na Pastoral: documentação, procura de emprego ou de informações.

Sentei na mesa ao lado e comecei a folhear alguns textos da faculdade daquela semana. Percebi um certo tumulto lá fora, mas não me interessei de ir olhar para ver oque estava acontecendo realmente. Derrepente eu ouvi um grito outras vozes indecifráveis no primeiro momento:

_Pelo amor de Deus! ajudem essa senhora... Ela diz que vai se matar!!!

Eu tive a sensação de ter dado um pulo! De tão rápido que andei em direção a porta... E ouvi outra vez alguém falar "ela vai se matar!" e fui em direção ao portão de entrada para a Pastoral e encontrei uma senhora de 70 anos com aproximadamente 1,40cm com uma aparência sofrida 

Ela estava sentada no canteiro de tijolinhos a vista. Sentei ao seu lado, e comecei a lhe ouvir:

_ Não aguento mais. Hoje sai de casa com esse pensamento: "Vou pedir ajuda, se ninguém me ajudar eu me mato...".

Sem chance de perguntar nada no inicio acabou me deixou sem resposta... Só me veio um pensamento: 1) Preciso entrar com essa senhora na paróquia 2) Ligar para "algum lugar" que possa dar essa assistência.

_Senhora, vamos entrar e conversar um pouco... 

Olhei a menina que trabalha comigo na Pastoral e pedi para ligar para o SAMU... 
A minha sorte, é que tinha uma sala "disponível" que é dos padres da paróquia tinha duas poltronas e aquilo acabou transformando em uma "sala de atendimento" ideal.

_ Ok, vamos conversar... O que aconteceu com a senhora?

_Eu quero me matar! Para acabar com essa tristeza e esse aperto no meu coração... Quando eu estou em casa veem esses pensamentos ruins.

_A senhora mora com quem?

_ Moro sozinha. Não tenho marido, nem filhos... Ninguém!

NINGUÉM Essa palavra veio com um "peso" direto pro estômago e acabou transformando-se em eco "Ninguém, ninguém, ninguém...." . 

_ A senhora mora aonde? Conhece algum vizinho que mora próximo a sua casa?

_ Moro no "Morro da Fumaça", os meu vizinhos já tem o problemas deles e o assunto gira em torno de drogas são drogados ou traficantes e morro de medo dessas coisas. Essa minha mão, - ela teve AVC sua mão ficou fechada impossibilitando-a de abrir e um dos seus pés são tortos deixando ela andando manca- os policiais uma vez me abordaram achando que era drogas que eu tinha nas mãos quase morri de tanta dor... 

_ Nossa... 

Virou para um lado da parede que tinha um crucifixo grudado na parede _ E u se que isso é pensamento do "inimigo" Deus não aceita essas coisas... Mas, as vezes eu me sinto vontade de matar alguém e até me matar... 

_ Quero ir embora menina. Vocês, não poderão me ajudar mesmo... - e, foi saindo da sala. - Já na porta. Tentei fazer a senhora mudar de ideia dizendo que já tinham chamado o SAMU e eles já estavam a caminho.

A senhora retornou a sala em que estávamos e sentou em uma das poltronas. Ofereci uma xícara de café, para ganhar um pouco mais tempo até a chegada do SAMU... E conversar um pouco mais

Depois de 1:30min, o SAMU chegou. O enfermeiro fez os primeiros exames na senhora: mediu a pressão, verificou a temperatura... Conversamos mais um pouco, e logo depois a ambulância levou a senhora para o IPQ e logo depois para a Colônia Santana. Mas, antes disso me deu um abraço bem forte e agradeceu: 

_Obrigado.Pela conversa e pelo cafezinho...

1 de junho de 2015

Clipe - Qualquer gato vira lata...



Depois de ser desprezada pelo namorado mimado e mulherengo, Tati busca maneiras de reconquistá-lo. Para isso, ela procura Conrado, um professor de biologia que defende uma polêmica tese sobre as conquistas afetivas humanas e as atitudes dos animais.

Os atores do filme participaram pela "webcam" cantando "Eu só vou gostar de quem gosta de mim" e transformaram em um clipe MUITO apaixonante.
Aperte o PLAY ...

  

Espero ansiosamente pelo filme Qualquer gato vira lata 2 que será lançado no dia 4 desse mês.
© Lado Milla
Maira Gall