12 de junho de 2018

Vou terminar o ano sozinho....


Vou terminar o ano sozinho. Incrivelmente sozinho. Estupidamente sozinho. Corajosamente sozinho. Resilientemente sozinho. Por escolha própria e bastante segura, sozinho. Por incrível que pareça, sozinho. E é um brinde a todos os sozinhos que escrevo este texto. Àqueles que querem, sim, ter alguém com quem dividir a cama, os sentimentos, as sensações, a parte do dia, a gastrite atacada, a política do pais, as frustrações, perdas e danos. Àqueles que, sim, obviamente sonham com a pessoa-ideal que dará match em todos os sentidos e que compartilhará a rotina, o desejo de permanecer ali, a vontade de querer estar junto. Àqueles que, pasmem, se sentem carentes, muitas vezes solitários e à margem de qualquer relação romântica, talvez por insegurança, medo ou trauma.

Dedico este texto aos sozinhos que sabem que são sozinhos. Que entendem seu lugar no mundo porque fizeram dele um espaço para se esconderem. Aos que, por vontade própria ou não, passaram por esse ano criando seu próprio caminho de reconstrução, de amor a si mesmo, de aprendizados e certezas incertas. Ser sozinho não é tarefa fácil. Às vezes a gente quer ter com quem estalar o peito, rir das piadas mais inconsistentes possíveis, ver Netflix agarradinho, observar o outro dormir e agradecer por poder partilhar a existência. Ser sozinho é uma tarefa que requer pulso firme. Pra aguentar a carência. O desamparo. O desabrigo. É claro que os amigos existem e estão ai pra nos provar que é possível viver sem um amor, mas convenhamos: é que um carinho às vezes cai bem. E cai melhor ainda quando o carinho é mútuo, porque aí o coração aumenta de tamanho e ambos passam a experimentar o gosto que é estar, literal e metaforicamente, juntos.


Mas este texto é para os sozinhos como eu. Os que decidiram começar um longo caminho de redescoberta com o amor. Que não colocaram a responsabilidade de pertencer a alguém acima da responsabilidade, imensa, de pertencer a si próprio. Que chegaram até aqui morosos, mas não menos importantes na principal, melhor e maior aquisição sentimental a que nós estamos submetidos: quando a gente entende que somos tão suficientes, que o outro só virá pra ser similarmente suficiente. Conosco. Quando o outro vem visitar nosso corpo e ele fica encantado com a disposição dos móveis, a maneira organizada e sutil com a qual organizamos os cômodos, a maneira ímpar que tratamos nosso chão. É uma boa relação só quando quem vem entende que a casa já tem dono. Que a casa já foi construída (com esforço e muito suor) e está pronta para receber pessoas novas; que queiram ficar.
Confesso que a minha casa não tá pronta ainda. Acho que vai demorar até que eu consiga erguer muros sólidos, levantar uma estrutura capaz de fincar na terra, reorganizar tudo que está fora do lugar. Acho que é por esta razão que muita gente anda perdida nas relações, às vezes infeliz. A casa não tá pronta. Tá bagunçada. Não tá funcionando. E se não está apta para receber nem seu próprio dono, que dirá outra pessoa.
Então este texto vai pra todos que, assim como eu, tiraram o ano pra revisitar suas casas. Nesse processo doloroso e solitário que é a construção de um corpo leal, honesto e com saúde. Nesse processo sofrido e espinhento que é tentar entender por que a-grande-pessoa ainda não veio. Nesse árduo caminho de assimilar que estar sozinho significa que estruturas internas estão sendo remodeladas.

Este texto é um recado: tá tudo bem se você terminar mais esse ano sozinho, sem ninguém. Por vontade própria ou não. Por sorte ou azar. Por uma opção sua ou do universo. Você está exatamente onde deveria estar e esse texto é um brinde a nós.

E uma última coisa: a pessoa mais importante, sempre, nesse processo todo já chegou e está aqui. Esse alguém é você.

30 de maio de 2018

Tagarelando sobre o mês...



Continuamos com o Projeto 52 semanas (as questões 01 á 37 ja estã repondidas e serão liberadas todos os domingos, terças e quintas-feiras de cada mês...) Semana 9: Pessoas que eu gostaria de conhecer, Semana10: Minhas comidas preferidas são...SEMANA 11: Meus brinquedos preferidos na infância ... Semana12: coisas para se fazer no frio.

 O QUE EU ASSISTI ESTE MÊS




Oito habilidosos ladrões se trancam na Casa da Moeda da Espanha com o ambicioso plano de realizar o maior roubo da história e levar com eles mais de 2 bilhões de euros. Para isso, a gangue precisa lidar com as dezenas de pessoas que manteve como refém, além dos agentes da força de elite da polícia, que farão de tudo para que a investida dos criminosos fracasse.

Assisti a 2° temporada de  13 Reasons Why e fiz uma maratona para para assistir novamente a 1° temporada. Pretendo escrever a minha opinião no proximo mês...

 O QUE EU LI ESTE MÊS



Eu não li nada esse mês...

 O QUE EU OUVI ESTE MÊS




O #cançãodesegunda surgiu porquê eu queria escrever sobre as musicas que eu estou ouvindo... Esse mês, eu ouvi a história por trás de 'Bella Ciao', hino dos protagonistas... Todo fã de verdade de La Casa de Papel, a série espanhola de ficção que mostra quase em tempo real um assalto bilionário à Casa da Moeda de Madri, já conhece Bella Ciao, a canção entoada pelos protagonistas em momentos-chave da trama 




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Estarei tagarelando por lá também (principalmente no Snap!!):

16 de maio de 2018

A história por trás de 'Bella Ciao', hino dos protagonistas de 'La Casa de Papel'


Todo fã de verdade de La Casa de Papel, a série espanhola de ficção que mostra quase em tempo real um assalto bilionário à Casa da Moeda de Madri, já conhece Bella Ciao, a canção entoada pelos protagonistas em momentos-chave da trama .



A música é ouvida pela primeira vez em um flashback que mostra os personagens Professor (Álvaro Morte) e Berlim (Pedro Alonso). Berlim pede que o Professor prometa que eles não serão presos se as coisas se complicarem durante o assalto. A canção também é entoada em outros momentos da série (vamos evitar dar mais spoilers aqui).

Muitas pessoas podem não saber, mas Bella Ciao tem muita história, não é uma canção feita para o popular seriado da Netflix.

A música foi hino da resistência italiana contra o fascismo de Benito Mussolini e das tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa referência aparece na série, sendo revelada pela personagem Tóquio (Úrsula Corberó), ao falar do mentor do assalto. "A vida de Professor girava em torno de uma única ideia 'Resistência'. Seu avô, que tinha ficado ao lado dos 'partigiani' (como são chamados os heróis da resistência antifascista na Itália) para derrotar os fascistas na Itália, lhe havia ensinado essa música e depois ele nos ensinou", diz ela numa cena.

A canção 'Bella Ciao' foi entoada em diversas manifestações celebrando o 73º aniversário da liberação da Itália do fascismo

Na última quarta-feira, 25, quando a Itália celebrava 73 anos de sua libertação do nazifascismo, a música foi entoada em diversas cidades do país. 

Mas a origem de Bella Ciao pode ser ainda mais antiga. 
Alguns sugerem que a melodia é uma adaptação de uma canção Klezmer, um gênero que emerge da tradição musical de judeus asquenazes, da Europa Oriental. Mais especificamente de "Oi Oi di Koilen", do acordeonista ucraniano Mishka Ziganoff, que foi gravada em Nova York em 1919.

Ao ouvir esta melodia em iídiche (dialeto das comunidades judaicas da Europa Central e Oriental) são várias as semelhanças com Bella Ciao.

O hino da resistência italiana teria sido levado ao país por um imigrante que estava nos Estados Unidos. De acordo com outra versão, Bella Ciao teria surgido das canções populares das trabalhadoras dos campos de arroz do vale do rio Pó, no norte da Itália, no século 19. Canções populares como Picchia alla porticella e Fior di tomba têm trechos que lembram Bella Ciao.

O personagem Berlim em cena de 'La Casa de Papel'

Hino internacional de resistência


Mas a história de Bella Ciao não termina aí.

Nos anos 60, a música se tornou um hino popular durante as manifestações de trabalhadores e estudantes na Itália.

No governo de Silvio Berlusconi, partidos de esquerda italianos cantavam a música antifascista como forma de protesto.

Mais recentemente, durante uma manifestação de bancários por aumento salarial em Buenos Aires, os funcionários parodiaram a letra de Bella Ciao e cantaram para o governo de Mauricio Macri: 

"Somos bancários, queremos aumento e Macri tchau, tchau, tchau".

Manifestantes na Turquia usam as máscaras de Salvador Dalí dos personagens de 'La Casa de Papel'

Em 2013, Bella Ciao foi entoada em protestos em Istambul e, em 2014, nos atos pró-democracia em Hong Kong. Na Grécia, partidos de extrema esquerda também utlizaram a canção em campanhas eleitorais.

Há várias versões de Bella Ciao em ritmos que vão do punk ao ska. A canção foi gravada por Mercedes Sosa e Manu Chao, entre outros.

No Chile, no início dos anos 1970, durante o governo de Salvador Allende, o grupo Quilapayún adotou Bella Ciao como uma canção de protesto.


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© Lado Milla
Maira Gall